por JMJG

Atualmente no mercado de eletrônica vintage (aparelhos eletrônicos antigos), os gravadores de fita K7 portáteis são uma verdadeira febre.

Muito procurados por fãs e colecionadores de som e informática vintage, eles foram fabricados largamente entre as décadas de 70/80 e começo dos anos 90, perdendo espaço para o CD, até serem completamente extintos em meados dos anos 1995.

Mas, assim como o vinil (LP), as fitas K7 já estão voltando apesar de muito vagarosamente.

Claro que esses gravadores K7 foram usados largamente por equipes de reportagens e usuários domésticos como uma forma acessível de gravação de áudio de voz/música, antes dos famosos gravadores MP3 digitais que temos hoje!

Praticamente, os anos 70/80 em geral foram dominados por eles e seus derivados! A Fita K7 era a única forma de gravação pessoal e doméstica barata!

As Fitas K7 também foram uma evolução das fitas de rolo, usadas em gravadores de rolo,de grande formato, e por um tempo essas fitas também foram chamadas de “mini K7” para se referir a elas, mas depois popularmente o termo “mini” ficou esquecido e apenas “Fitas K7” ficaram na boca do povo.

Fitas de rolo: Divulgação

Muitos se lembram delas, pois usaram para gravar suas músicas que tocavam nas rádios FM, durante os anos 70/80 e 90.

Poucos sabem, mas esses gravadores K7 foram usados largamente também nos antigos computadores tais como (Linha MSX/ TK/ TRS/ CP) PC’s fabricados/vendidos no Brasil nos anos 1970/1980. Esses gravadores eram a única forma de armazenamento de dados barata e disponível no mercado!

Nessa época, no auge do desenvolvimento da informática no Brasil, ainda não existia Disco Rígido (também chamado de Winchester) que fosse acessível aos usuários domésticos para pequenos computadores. O que existiam eram enormes discos que ocupavam uma sala inteira, mas destinados apenas para uso em empresas ou Central de Dados, fora o fato de serem equipamentos extremamente caros e complexos na época.

Os Floppy Disks, as unidades de disquete, também eram muito caras e poucos tinham acesso, devido ao alto custo e até mesmo não eram suportadas facilmente por computadores da época no Brasil.

No caso do Brasil, os computadores da linha MSX (HotBit ou Expert) da Sharp e da Gradiente é que ficaram mais famosos, junto com a linha CP da antiga Prologica, e a linha TK da Microdigital. Eles não tinham ainda um Sistema operacional em Disco, tinham apenas um interpretador de comandos gravados fixos na memória EPROM (a única que não se apagava desligando a energia).

Mas o que poucos ainda se lembram (exceto os que usaram muito esses aparelhos assim como eu), é que esses computadores não tinham nenhuma memória de armazenamento, apenas memória RAM, ou seja, desligando a energia, tudo se perdia!

Tudo, incluindo os programas e qualquer aplicação do usuário.

Então deveria ter uma forma de armazenar as informações em alguma mídia e era essa a função mais popular dos gravadores K7 no mundo da informática vintage!

Todos esses computadores citados, tinham conexão especial para o “datacorder” que era um gravador de Fitas K7 já desenvolvido pelo fabricante para isso, mas o usuário poderia facilmente usar seu próprio gravador K7 também para isso, bastando apenas plugar ele no computador usando um cabo especial de áudio.

Todos esses gravadores tinham conexões em sua lateral, geralmente haviam três conectores já padronizados, chamados de EAR (fone), MIC (microfone), REM (remoto).

Já vamos explicar a função de cada um, mas elas originalmente eram para se conectar um microfone externo, que o repórter ou usuário poderia acionar, fazendo a gravação mais prática de um evento ou entrevista, sem ter que apertar os botões do gravador, deixando ele de lado ou a “tira colo” usando uma bolsa especial de transporte.

O computador poderia acionar o gravador automaticamente para gravar ou ler os programas contidos na fita, através de comandos que o usuário fazia no sistema do próprio computador. Em alguns casos o acionamento deveria ser manual para Play ou Record, mas micros da linha MSX tinham uma conexão para acionamento Remoto do Motor do Gravador, o famoso conector REM (cabo preto), tirando proveito da função automática já presente neles para uso do microfone!

O conector EAR (branco) era a saída do “som digital” ou de dados para o computador poder ler as informações, e o conector MIC(vermelho) era a entrada de “som digital” para o gravador poder gravar na Fita os dados enviados pelo computador!

E qualquer gravador K7 de qualquer marca na época já vinha com essas conexões permitindo o uso para gravação de áudio ou de dados nos computadores da época.

Vale lembrar que o “Som do computador” era bem diferente do som que ouvimos como uma música por exemplo! Os dados digitais gravados em fita eram ruídos altos de várias frequências semelhante aos ouvidos pelos modens de acesso a internet dos anos 1990! Também semelhantes aos sinais de FAX. Todos eles usavam técnicas semelhantes para transmissão de dados digitais.

Então dessa forma, as Fitas K7 e os Gravadores K7 de áudio, eram muito mais populares e mais baratos, do que outras mídias tais como Disquetes ou Winchesters (disco rígido) da mesma época, e por isso por mais de 20 anos foram os mais usados no Brasil principalmente para essa aplicação.

Apenas no começo das linhas de computadores XT é que não existiam mais conexões para DataCorder, sendo os Floppy Drives já a única forma de armazenamento com disquetes 5 ¼ padronizada, e também opcional uso do Winchester (disco rígido) em casos mais sofisticados. E quando veio a linha AT 286 ai nunca mais tivemos os gravadores K7 conectados aos computadores, apenas para tocar música mesmo!

Mas Graças a esse emprego histórico no ramo de informática, o termo “Fita DDS/DAT” até hoje é usado para designar armazenamento de dados em Fita Magnética, e sim, embora não sendo Fita K7 comum, ainda existem empregos atuais de tais fitas para meio de armazenamento de dados por longo prazo.

As Fitas DAT/DDS são menores, compactas e com maior capacidade de armazenamento e baixo custo de fabricação do que um Disco Rígido,etc por isso ainda são usadas até hoje no mundo dos dados digitais, mas agora vocês sabem como tudo começou!

Para quem ainda busca comprar ou reparar seus Gravadores de Fita K7 ou até mesmo comprar Fitas K7 de áudio lacradas, ou computadores antigos, no Brasil a ESIJMJG é uma empresa especializada nessas linhas que já atua há mais de 12 anos!

Juntem-se a nós em breve com mais novidades sobre o mundo da eletrônica vintage! Até lá.

JMJG
Eng. Eletrônico e Proprietário da ESIJMJG
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