por Fernando Aires
É difícil entender, primeiramente, a dificuldade que encontram Secretarias e Subprefeituras de conversarem entre si e dialogarem com a população. Um sistema há muito tempo defasado e que precisa ser revisto em São Paulo, afinal, as Subprefeituras foram criadas com o intuito de descentralizar as demandas da cidade, das “mãos” da prefeitura, em prol de soluções locais mais ágeis e eficientes.
Um simples recapeamento, uma troca de lâmpadas ou ainda, uma limpeza ou poda de árvore precisa de autorização das Secretarias. O certo seria as Secretarias estarem subordinadas às Subprefeituras, que por sua vez, teriam o poder para decidir, resolver e atender as dúvidas e necessidades da população local. Em vez disso, uma simples resposta precisa da autorização da Secretaria para ser dada.
Há semanas, uma “revitalização” da ciclofaixa na rua Evangelina causa questionamento na comunidade. Não pela tinta, que infelizmente pode já sumir com a primeira chuva, mas sim, pelo estado lastimável em que se encontra em boa parte de sua extensão: esburacada, sem as “tartarugas” de proteção – também conhecidas como tachões – e que oferecem mais segurança aos motoristas e ciclistas, sem faixa de pedestres e outros.
Apesar destes problemas, a prefeitura está neste momento pintando e reformando alguns pontos da ciclofaixa.
Ou seja, um gasto de dinheiro público que neste momento, pode ser jogado fora, uma vez que a via em toda extensão necessita de reparos. E a rua Evangelina não é a única nesta situação. As ruas Lutécia e Guilherme Giorgi também encontram-se em estado precário – muito devido também aos caminhões que sobem e descem devido às obras do metrô.
Existe um programa de recapeamento em andamento desde 2020, que visa garantir a qualidade do asfalto em toda São Paulo. Segundo a própria prefeitura, no bairro de Vila Carrão, já foram contempladas e entregues em 2024, pelo programa, as seguintes vias :
- Rua Taubaté (Ambos os Sentidos) – Trecho compreendido entre a Praça Libéria até a Av. 19 de Janeiro;
- Rua Codajás (Inclui Praça Mal. Leitão Bandeira- Trecho compreendido entre a Rua Dona Vitória Speers até Praça Marechal Leitão Bandeira;
- Rua Grecco – Trecho compreendido entre a Rua José da Rocha Vita até a Rua Lessing;
- Rua Vacanga– Trecho compreendido entre a Rua Taubaté até a Rua Maria Vieira Ribeiro;
No entanto, com relação a estas vias, quando questionada sobre o porquê do gasto com a ciclofaixa antes do recapeamento, a Secretaria Municipal das Subprefeituras informou que “A ciclofaixa da Rua Evangelina está inserida no programa de manutenção permanente. Para verificar as condições do pavimento, será feita uma vistoria pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Caso o pavimento não esteja de acordo, será solicitado recapeamento para depois ser sinalizada”. Sobre a situação das Ruas Lutécia e Guilherme Giorgi, a Secretaria disse que “em vistoria feita nestas vias no dia 17 de março, foi constatada a necessidade do serviço de tapa buraco. Os endereços já foram incluídos no cronograma”.
Nesta semana, a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão, por sua vez, encaminhou à reportagem, um relatório sobre as obras de zeladoria recentemente entregues pelo poder público no bairro. São elas:







- Reforma na Praça Cândido Mendes de Almeida
- Jardim de Chuva – Canteiro central da Rua Taubaté
- Travessa Alberto Stuchi
- Revitalização de Viela na Rua Salomé Queiroga
- Escadaria Rua Palas com a Rua Angoera
- Escadaria Rua Asa Branca com Rua Nova Jerusalém
É fato que obras são entregues pelo poder público, mas o que se questiona é o porquê de algumas despesas serem praticadas, sem se atentar para as necessidades do bairro, visto que o gasto com uma ciclofaixa na via sem recapeamento, é o mesmo que desperdiçar dinheiro público.
Não seria mais fácil deixar as Subprefeituras tomarem as atitudes e resolverem o que é ou não prioridade em suas regiões?