Projeto aprovado por unanimidade na Câmara Municipal prevê multa de até R$ 1 mil para responsáveis e adestradores que utilizarem coleiras antilatidos. Saiba mais:

por Fernando Aires

Foto: “Paçoca”, por Sarah Fernanda

O Plenário da Câmara Municipal de São Paulo aprovou no dia 21/08, o substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 198/2023, que proíbe o uso de coleiras antilatidos na capital. A votação foi simbólica e contou com unanimidade dos vereadores, que também acataram uma emenda para aprimorar o texto.

De autoria do vereador Roberto Tripoli (PV) e coautoria do ex-vereador Atílio Francisco, o projeto veta o uso de coleiras que emitem estímulos sonoros, vibratórios, elétricos, eletrônicos ou odoríferos, além das do tipo enforcador com garras, pinos ou espículas. A medida abrange tanto os equipamentos antilatidos quanto os utilizados em processos de adestramento.

Em caso de descumprimento, a lei prevê multa de R$ 1 mil ao responsável pelo animal, valor que será dobrado em caso de reincidência.

A penalidade também será aplicada a adestradores que utilizarem o equipamento em treinamentos nos cachorros. Na justificativa, os autores destacam que “tais métodos são considerados cruéis, uma vez que associam o ato de latir a estímulos negativos”, e reforçam que o objetivo da medida é “assegurar o bem-estar dos animais e prevenir possíveis abusos”.

Coleira antilatido deixa o pet muito mais agitado

Alguns tutores relatam que já recorreram às coleiras antilatidos e se arrependeram.

“Comprei achando que era uma solução simples, mas logo percebi que meu cachorro ficava ansioso e assustado. Parecia sentir dor cada vez que latia. Nunca mais usaria”, contou a contadora Renata Almeida, moradora da Zona Leste.

O engenheiro Paulo Martins também compartilhou experiência negativa: “Meu labrador ficou mais agressivo e retraído. Me senti muito culpado, porque percebi que estava punindo o instinto natural dele. Hoje prefiro investir em adestramento positivo.”

Para a estudante de medicina veterinária Juliana Rocha, a prática só reforça o sofrimento: “Tentei por alguns dias, mas meu cãozinho passou a se esconder e a tremer quando via a coleira. Foi desesperador. Me arrependo até hoje de ter usado”, concluiu.