Durante a Tribuna Popular, moradores pediram desde mais médicos até recapeamento de ruas; Feira Livre aproximou o Legislativo paulistano da comunidade. Saiba mais:
por Fernando Aires / Fotos: Ana Carla Tallmann

A 5ª edição do Câmara na Rua movimentou o CEU Tiquatira, na Penha, no dia 30 de agosto. O projeto da Câmara Municipal de São Paulo busca estreitar a relação com a população, sobretudo das comunidades periféricas.
Para isso, promove um diálogo direto sobre as demandas locais, apresentando o trabalho do Legislativo e garantindo espaço para a sociedade participar. Somente neste ano, CEUs das zonas leste, sul, norte e oeste já receberam o evento.
O encontro se dividiu em duas frentes. De um lado, a Feira Livre, que montou estandes temáticos para mostrar o funcionamento de setores da Casa, como a Ouvidoria, a Biblioteca e a Escola do Parlamento. De outro, a Tribuna Popular, onde 60 munícipes inscritos tiveram até dois minutos para expor necessidades e cobrar soluções diretamente dos vereadores.

Esta não foi a primeira vez neste ano, que vereadores se encontraram com a população para debater questões importantes. Em março, a vereadora Janaina Pascoal (PRTB), reuniu-se com moradores da Penha, para debater a questão do tombamento na região e suas complicações.
Demandas na Tribuna Popular
Na Tribuna, os moradores levantaram principalmente questões ligadas à saúde e à infraestrutura urbana. Rogério de Oliveira, por exemplo, cobrou estudos sobre mobilidade no bairro. Já Vitor Agostinho pediu o recapeamento da Avenida Esperantina, no Jardim Coimbra.
Outros cidadãos destacaram temas variados: Michele Ribeiro, da Vila Guilhermina, falou de segurança; Fabio Ricardo questionou a falta de opções de lazer; e Ricardo Rodrigues cobrou a retomada das obras do Parque do Pescador.
Ramona Tsuda, também da Penha, elogiou a iniciativa, mas insistiu em soluções de zeladoria e segurança para imóveis abandonados que oferecem risco. Enquanto isso, Lourivaldo Dias Filho reivindicou uma pista de caminhada para idosos na Vila Sílvia.

A professora Gisele Almeida pediu agilidade na nomeação de professores aprovados em concurso e melhorias para servidores em estágio probatório. Já Adriana Assis e Ana Carla Tallmann alertaram para os problemas estruturais e de sobrecarga da UBS Jardim Penha.
“Sou Conselheira do segmento ‘usuário’ da UBS Vila Esperança, moro na Penha desde que nasci e nessa UBS temos um probleminha. A questão é que a Penha está crescendo muito, e esta UBS está atendendo ao pessoal da divisa do viaduto Aricanduva, entre Penha e Mooca. Os moradores da região abaixo do Viaduto teriam que passar pela UBS do Tatuapé, que para eles é fora de mão, precisando tomar ônibus e metrô para chegarem ao local. São pessoas idosas, que não tem como tomar essas conduções e portanto, a UBS de Vila Esperança acaba superlotada. É preciso pensar um local intermediário, que ajude o pessoal a se cuidar com mais conforto desafogando assim a UBS de Vila Esperança”, afirma Ana Carla, que é filha do renomado fotógrafo penhense Flávio Tallmann
Outros moradores reforçaram a necessidade de ampliar políticas públicas para pessoas autistas, construir uma UPA na Penha e, ainda, reformar o Hospital do Nhocuné — promessa feita há duas décadas.
Apesar das críticas, parte dos participantes também agradeceu avanços recentes, como recapeamentos e melhorias na zeladoria.
Participação dos vereadores
O presidente da Câmara, Ricardo Teixeira (UNIÃO), garantiu que todas as falas serão registradas e encaminhadas ao Executivo. O 1º vice-presidente, João Jorge (MDB), conduziu os trabalhos e destacou a importância de ouvir os bairros da zona leste.

Celso Giannazi (PSOL) ressaltou que a Câmara tem a obrigação de dar voz a cada cidadão. Já Janaina Paschoal (PP), moradora da região, anotou as demandas e prometeu pressionar o Executivo, mas ressaltou: “Não posso garantir a execução, porque essa é a função do Executivo”.
Feira Livre aproxima a Câmara do povo
Durante a Feira Livre, servidores mostraram à população como funcionam o Plenário, as comissões, o Parlamento Jovem e a Procuradoria Especial da Mulher. Para a subprefeita da Penha, Kátia Falcão, a iniciativa fortalece a ligação entre comunidade e Legislativo.
A professora Érica Amorim, moradora da região, também aprovou o formato: “É muito importante, porque dá voz ao povo”.
Projeto contínuo

Realizado sempre no último sábado de cada mês, o Câmara na Rua segue como uma estratégia para levar o Legislativo até os territórios. Assim, a cada edição, moradores ganham oportunidade de cobrar, agradecer e propor soluções diretamente aos vereadores.
O próximo Câmara na Rua, em sua 6ª edição, acontecerá na Zona Sul da capital, no CEU Guarapiranga “Florinda Lotaif Schain”, no dia 27 de setembro, às 9h. Na Estrada da Baronesa, nº 1.120, Parque Bologne.
Assista abaixo, na íntegra, o vídeo do encontro:
https://www.youtube.com/live/_TdLW0irUgA?si=WOCdA0s3t3SzObjH


