Agencia Santander na Vila Formosa fecha sem qualquer comunicado aos correntistas. Banco acumula queixas de fraudes e falhas. Saiba mais:
por Fernando Aires

Não há nada mais triste para um cidadão do que ter seus bens roubados em golpes de PIX, bancos, hackers e redes sociais.
Desde a pandemia, os golpes e estelionatos bancários aumentaram mais de 400% nos últimos 6 anos e já são responsáveis por prejuízos de R$ 25 bilhões no Brasil.
São muitos os casos de quadrilhas que são montadas para explorar as vulnerabilidades dos bancos, sejam elas com informantes de dentro ou articuladas de fora das instituições financeiras.
Milhares de correntistas do banco Santander estão bastante preocupados. Ocorre que saques inesperados da conta, bem como empréstimos fraudulentos e negativações sem amparo legal são algumas das situações que levam a duvidar da segurança da instituição.
Será que a segurança estrutural do Banco, é mesmo confiável?
Multa do Procon
No início de agosto, o Santander foi multado em R$ 13,2 milhões pelo Procon-SP por liberar contratos de empréstimos consignados fraudulentos e realizar descontos considerados abusivos em benefícios previdenciários.
A penalidade tem como base o Código de Defesa do Consumidor, já que a instituição não conseguiu comprovar a legalidade dos contratos firmados nem garantir a devida segurança na oferta de seus serviços financeiros.
Segundo o órgão, a prática evidencia falhas nos mecanismos de controle e verificação do banco, o que é especialmente grave em operações que afetam consumidores em situação de maior vulnerabilidade, como idosos.
O Santander ainda tem a possibilidade de recorrer da decisão.
Negativações indevidas
As irregularidades não param por aí. Em julho, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais manteve a multa de R$ 9,6 milhões aplicada pelo Procon/MG ao Santander, após constatar a inscrição indevida de cerca de sete mil servidores públicos estaduais nos órgãos de restrição ao crédito. A investigação do Procon apontou que situações semelhantes atingiram milhares de consumidores em todo o Brasil.
A penalidade teve origem em reclamação de uma servidora aposentada, que relatou problemas em um contrato de empréstimo consignado, resultando em encargos indevidos e na negativação do seu nome.
No recurso, o Santander alegou falhas no processo administrativo, ausência de fundamentação, erro na aplicação da multa e pediu sua substituição por advertência ou redução do valor. O banco também questionou a validade da apuração conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP/MG), responsável pelo processo que deu origem à penalidade.
A 6ª Câmara Cível do TJ/MG, entretanto, rejeitou os argumentos da instituição financeira e ressaltou que foram respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Os desembargadores destacaram ainda a legitimidade do MP na defesa dos consumidores e concluíram que não havia vício que justificasse a anulação da decisão administrativa. Assim, a multa milionária foi mantida, junto com a condenação do banco ao pagamento de custas e honorários recursais.
Terceirização irregular
A terceirização é considerada um problema para boa parte dos correntistas do Santander. Não apenas deste Banco – é importante que se ressalte – mas em todo caso onde haja um problema, o banco se omite e repassa a responsabilidade para a empresa contratada naquela função.
Tanto que em julho, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados realizou uma audiência para tratar dessas denúncias de fraudes envolvendo processos de terceirização no setor financeiro. A iniciativa foi solicitada pela deputada Erika Kokay (PT-DF).
De acordo com a parlamentar, a terceirização irregular tem se tornado uma prática comum nos bancos, afetando também aos direitos trabalhistas. “Esse tipo de conduta gera precarização das condições de trabalho, redução salarial e insegurança para os empregados”, destacou Erika.
Ela também citou o banco Santander como exemplo de instituição alvo de múltiplas denúncias e ações judiciais ligadas à terceirização ilegal de funções essenciais e permanentes. “Trata-se de um claro desrespeito à legislação trabalhista e às decisões já consolidadas pela Justiça do Trabalho”, reforçou.
PIX e movimentações indevidas
Essa é uma situação bastante desagradável. Um correntista do Banco Santander da Vila Formosa, agência 0399, que foi lesado teve sua identidade preservada e foi identificado com acrônimos (siglas).
“No segundo semestre de 2018, hackers entraram no sistema da minha empresa. Na noite de um sábado para domingo, incluíram funcionários e CPFs de terceiros no sistema de pagamento – pessoas essas que nunca trabalharam em minha empresa. Transferiram todo o dinheiro dos fundos de investimento para eles em poucos minutos. Na segunda-feira pela manhã foi aquele susto, a conta estava zerada e a unidade do banco precisou abrir um chamado para a matriz”. Fiquei sem R$ 40 mil reais durante o período inicial do mês que geralmente é destinado a pagamento de contas e prestadores de serviços, foi um sufoco enorme”, comenta “JGA”.
Vale ressaltar que muito se evoluiu no processo bancário brasileiro desde então. Alguns procedimentos, como resgate de fundos e transferências de altos valores, as agências só autorizavam pessoalmente e dentro do horário comercial. Atualmente, aplicativos e sistema de internet banking permitem muitas operações e, a maioria delas, são habilitadas muitas vezes sem o consentimento do cliente.
“No meu caso, não houve qualquer fornecimento de informação de minha parte, ainda mais com um roubo realizado de madrugada em um final de semana. O banco viu na época que foi um golpe e devolveu o dinheiro quase 10 dias depois, mas até lá a gente ficou preocupado com as ações desses criminosos e também sem capital para ações básicas de pagamentos da empresa”, conclui “JGA”.
Nesta mesma agência Santander, onde ocorreu o golpe acima citado, tem-se informações de que outros casos ainda piores ocorreram ao longo de 2024 e 2025.
Procurado pela redação, o atual gerente da unidade Vila Formosa não se manifestou.
Por sua vez, o Banco Santander, em nota, afirmou que: “O Santander lamenta o ocorrido e reforça que utiliza sistemas avançados para garantir a segurança e autenticidade das operações realizadas por seus clientes. Cada transação suspeita relatada ao banco é avaliada individualmente, com o devido rigor técnico, a fim de confirmar se a operação foi validada conforme os protocolos de segurança vigentes”.
O banco tem que restituir golpes de PIX e hackers
O advogado dr. Vinícius March, da March & Teixeira Advogados, no Tatuapé, afirma que golpes praticados em instituições financeiras, se oriundos de hackers, a instituição bancária deve se responsabilizar e aponta outros casos semelhantes:

“Em via de regra, se houver um erro causado por um hacker ou algo do tipo, algo inerente à falta de segurança do Banco, a instituição financeira é responsável e tem que restituir o correntista. Acontece isso até, para você ter uma ideia, com as redes sociais, principalmente quando tem aquele golpe do WhatsApp. Sabe aquele que alguém vai lá e simula, por exemplo, que é o filho? Então, o golpista entra em contato e fala ‘Mãe. Eu tô precisando de dinheiro’, enfim, eles fazem toda uma engenharia social para descobrir a vida das pessoas, principalmente os idosos. E daí, qual o entendimento do Poder Judiciário? Que o WhatsApp tem que minimizar os riscos, porque é uma falha do aplicativo, de permitir que uma pessoa consiga criar uma conta utilizando a imagem e tudo mais e aplique um golpe financeiro. Então, existem condenações nesse sentido. Imagine, então, com o Banco? Se é uma ação que é totalmente alheia a qualquer atuação do consumidor, não tem o porquê de o Banco não restituir a correntista”, afirma March.
Fechamento de agência sem comunicado prévio
Em meio a reclamações de correntistas, a unidade Vila Formosa 0399 fechou suas portas no dia 12 de setembro. Aos clientes pessoa física e jurídica, restou o espanto ao chegar frente a unidade na segunda-feira, dia 15. “Havia um comunicado pequeno na porta sobre o fechamento da agência, porém, nós clientes não recebemos qualquer informação por e-mail, WhatsApp ou ligação. Foi tudo muito rápido, na “calada da noite”, muito provavelmente já era algo programado há meses, até porque assim que chegamos aqui na frente da agência já estavam reformando, removendo a fachada e tudo mais.
Lamentável o tratamento e descaso dado a nós ao longo dos últimos meses”, comentou um cliente que passava pela avenida.


