Estruturas condenadas, risco de alagamentos e ausência de ação do poder público agravam a insegurança de famílias que vivem às margens do córrego. A comunidade cobra resposta urgente da Subprefeitura Aricanduva – Formosa – Carrão, que até o momento, dá mais atenção aos trâmites burocráticos do que à situação em si. Entenda.
por Fernando Aires
Quando fala-se que as Subprefeituras em São Paulo, precisam ser autônomas, eficientes, não é por pura implicância com o poder público. É porque na prática, as subprefeituras são uma perda de dinheiro público e um desperdício de talentos em meio a tanta burocracia sem sentido. Como no caso de extrema urgência, com relação ao Córrego Rapadura, na rua Zodíaco, Jardim Têxtil, Zona Leste.

Como já virou rotina, o Rapadura volta a preocupar moradores com a chegada do período de chuvas fortes. À primeira vista, o problema parece restrito à possibilidade de transbordamento das águas, mas a situação é ainda mais grave: várias residências construídas à margem do córrego apresentam uma estrutura altamente comprometida, com rachaduras, infiltrações, paredes irregulares e sinais visíveis de erosão no solo – como mostra a foto registrada por este jornalista.
Há semanas, estamos conversando e dando a oportunidade de a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão – aparentemente nas mãos de estagiários – responder a essa e outras questões relativas ao Córrego. Primeiro, eles fornecem o email errado, depois, pedem uma semana e fornecem o email de um responsável pela assessoria. E por fim, pedem para encaminhar a demanda em outro e-mail, que não os fornecidos anteriormente.
É amador, é incompetente e não condiz com a grandeza da região que a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão administra.
Risco de Enchentes
Com o volume de chuvas aumentando ao longo dos últimos anos, os imóveis erguidos de forma precária neste trecho do bairro estão sob risco iminente de desabamento. A ameaça não recai apenas sobre quem ocupa essas casas, muitas vezes famílias de baixa renda que não têm para onde ir, mas também sobre outros moradores da área, já que o colapso de uma estrutura à beira do córrego poderia obstruir o leito do Rapadura, provocar alagamentos repentinos e desencadear um efeito cascata sobre construções vizinhas.
Embora a situação seja conhecida há anos, moradores afirmam que o poder público – especialmente a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão, responsável pela região – não tomou medidas efetivas para resolver o problema. Entre as queixas mais comuns estão a falta de fiscalização, de limpeza, a ausência de vistorias estruturais e a inexistência de projetos de contenção ou remoção segura das famílias em situação de risco.
Estruturas Severamente Comprometidas
A imagem anexada evidencia uma das situações mais críticas: uma parede lateral praticamente suspensa sobre o barranco do córrego, marcada por danos estruturais, remendos improvisados e tubulações expostas. O reboco desprendido, as rachaduras extensas e a base escurecida pela umidade revelam que a residência já sofreu impactos do fluxo de água e da instabilidade do terreno.
Fabrício dos Santos, engenheiro recém-formado, afirma: “edificações erguidas próximas ao leito de um córrego – especialmente sem fundação adequada – tendem a sofrer desgaste acelerado. O solo úmido, a erosão natural das margens e o risco de “socavamento” [solapamento de terreno irregular] podem levar ao desabamento repentino, sem tempo para evacuação”.
Alagamentos e transtornos à comunidade
Além do perigo estrutural, a queda de uma casa sobre o córrego poderia gerar um bloqueio no fluxo da água, causando alagamentos no entorno. Embora moradores afirmem que por mais de três décadas nunca viram uma enchente no Córrego, as imagens mostram um canal repleto de lixo, mato, e claro, um risco claro de obstrução.
Por sua vez, a insatisfação com a ausência de iniciativas da Subprefeitura Aricanduva/ Formosa/ Carrão é crescente. Segundo relatos, pedidos de vistorias e reclamações foram registrados diversas vezes, mas raramente tiveram retorno prático.
“A gente pede e eles não veem. O cheiro forte, os bichos que sobem e invadem as casas, a falta de cuidado por parte da Sub, é algo lastimável. Estamos em São Paulo, minha gente, isso não podia acontecer com a gente! Para que é que as Subprefeituras existem, afinal?”, reclama a moradora Alice Moraes, indignada com a situação.
Resposta imediata
A situação é grave e exige uma resposta imediata do Poder Público, antes que o pior aconteça. O risco de desabamento de casas nas margens do Córrego Rapadura não é apenas uma possibilidade técnica, mas sim, uma ameaça real, documentada e conhecida. A cada temporal, cresce o medo de que um acidente aconteça, tirando vidas e causando danos irreversíveis à comunidade.
Quando acontecer o pior, para qual email devemos mandar as fotos, Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão?


