Em razão das fortes chuvas na região de Mairiporã, moradores da região serrana ficaram sem eletricidade e viveram momentos bem complicados. A concessionária chegou a indicar prazo de até 9 dias para normalização.

por Fernando Aires

Falta de poda na região serrana de Mairiporã é um grave problema em períodos de intensa chuva. Fotos: Divulgação

Moradores do bairro Sausalito e outras áreas de Mairiporã, interior de São Paulo, viveram momentos de terror após ficarem sem energia elétrica por 3 dias, em razão das fortes chuvas que atingiram a região no último dia 13 de fevereiro. A luz voltou no dia 16.

A responsabilidade pelo fornecimento é da concessionária Neoenergia Elektro e segundo relatos de moradores, a previsão inicial era de restabelecimento para o dia 23/02. Ou seja, 9 dias sem energia, gerando revolta.

Para quem vive na região serrana, a situação se transforma em um pesadelo. A falta prolongada de energia afetou também o abastecimento de água em imóveis que dependem de bombas elétricas, além de prejudicar sistemas de segurança e comunicação. Na rua Pau Marfim, por exemplo, o morador de um dos conjuntos residenciais relata o descaso da concessionária:

“Tá certo que chove forte, cai árvore, derruba fio, interdita a estrada, a gente entende tudo isso. Só que eu não posso ficar sem energia elétrica por tanto tempo. Tudo que tinha na geladeira estragou e as bombas da caixa d’água do condomínio ficaram prestes a parar também. Afinal, precisam de energia para funcionar. Aqui nunca foi assim. Sem água e sem luz, para onde eu vou?”, relata indignado o morador Fábio M.

Ciranda sem solução

Rede elétrica necessita de mudanças e modernizações. Foto: Divulgação

O Sausalito é uma região serrana conhecida por suas chácaras, áreas verdes e pelo fluxo de turistas, especialmente em fins de semana e períodos de calor.

Por se tratar de uma floresta, necessita de poda preventiva em suas árvores, o que normalmente não acontece e o problema é “empurrado” de um lado para o outro. A Neoenergia Elektro reclama da lei ambiental e afirma que a poda deve ser realizada pela prefeitura de Mairiporã. Esta, por sua vez, define que a poda das árvores é de responsabilidade da associação dos moradores na região, que aponta a concessionária como a única responsável pela tarefa.

Enquanto ninguém assume a responsabilidade, os temporais que provocam a queda destas árvores deixam ruas às escuras – muitas delas de terra, comprometem o funcionamento de comércios e afetam diretamente os moradores que dependem de equipamentos elétricos essenciais. Sem contar os transtornos para pousadas e imóveis alugados para temporada – fonte de renda comum na região.

Moradores querem solução urgente

Moradores questionam a estrutura da rede elétrica na região, a falta de podas preventivas, principalmente das árvores próximas à fiação e a modernização da infraestrutura. Eles também criticam a comunicação da empresa, que, segundo afirmam, foi “falha e imprecisa ao longo dos dias de apagão”.

“Ficamos sem qualquer segurança ou garantia de quando a energia voltaria. Foi um sentimento de abandono. Imagine, 9 dias sem água e sem luz! Está na hora de melhorar essa situação, modernizar a rede elétrica, tratar a questão da poda preventiva como era antigamente, uma prioridade”, afirmou um residente que preferiu não se identificar.

Procurada, a Neoenergia Elektro informou que as fortes chuvas causaram danos significativos na rede e que equipes foram mobilizadas para atender as ocorrências o mais rápido possível, priorizando situações emergenciais. 

Apesar do restabelecimento “rápido” do serviço, moradores pedem que o episódio não seja tratado como um fato isolado. Eles defendem maior transparência nos prazos, canais de atendimento mais eficientes e um plano de contingência que evite que o bairro volte a enfrentar dias no escuro.

Enquanto a energia foi normalizada, o sentimento que permanece no Sausalito é o de alerta: em uma região que depende do turismo e da tranquilidade como cartão de visita, três dias sem luz deixam marcas que vão além da escuridão.