por Sérgio Miranda

Hoje, 16 de fevereiro de 2026, completam-se dois anos e dois meses desde que você partiu, minha querida Evelaine… e eu continuo aqui, repetindo com a mesma verdade do primeiro dia: eu te amo. Ainda te amo, meu amor — com a mesma intensidade, com a mesma entrega, com o mesmo coração que sempre foi teu.

Desde 16/01/24, a vida tomou um rumo que eu jamais imaginei trilhar. Cada dia sem você tem sido como uma longa travessia por mares profundos de saudade, onde a tristeza me envolve como um nevoeiro espesso. E toda vez que retorno dessa dolorosa “viagem”, preciso reaprender a existir, a respirar, a encarar a realidade sem o brilho que os seus olhos traziam ao meu mundo. A sua ausência levou consigo não apenas os sonhos do futuro, mas também a leveza do presente.

Tenho contado o tempo, amor. E todo dia 16 de cada mês que passa, eu paro em silêncio e recordo: o calendário pode avançar, as estações podem mudar, mas o que sinto por você permanece intacto — vivo, ardente, pulsando diante dos meus olhos como se você ainda estivesse aqui.

Há quem diga que o tempo ameniza, que transforma sentimentos, que traz consolo. Eu não sei… Talvez para alguns. Para mim, o que existe são as lembranças — preciosas, sagradas — dos 41 anos que vivemos lado a lado. São elas que sustentam meus passos, que alimentam minhas forças e me mantêm caminhando, mesmo quando o coração pesa.

Viver de lembranças não é simples. Não sei sequer se é saudável. Mas é nelas que encontro você, é nelas que ainda escuto sua voz, que sinto seu sorriso, que abraço o que fomos. É assim que vejo os dias passarem.

Eu desejaria reescrever essa história, mudar o desfecho, ter você de volta em meus braços. Sei que isso não é possível, mas ainda estou aprendendo — no meu tempo — a atravessar essa transição. Não tenho pressa. O mundo já não me cobra tanto quanto a saudade me chama. Sigo pensando em você, revivendo nossos momentos, chorando sua falta todos os dias, pedindo a Deus que ao menos me permita encontrá-la em sonhos.

Talvez muitos não compreendam. Talvez não vejam sentido nas minhas atitudes, nas minhas palavras, na forma como continuo amando você. Mas eu não quero disputar razão com ninguém. Só queria estar em paz… ao seu lado. E como isso já não me é concedido, sigo com os olhos marejados e o coração inundado de amor e saudade.

Se há algo certo sobre o amanhã, é que minhas lágrimas continuarão a cair por você, minha doce Evelaine. E em cada lágrima haverá dor, sim — mas também haverá amor.

Um amor que o tempo não apaga, que a ausência não destrói, que a eternidade apenas guarda.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego