por Sérgio Miranda

Diário de uma saudade, que dói…

A rotina da minha saudade tem a delicadeza de um ritual de amor. Ela começa assim: abro os olhos ao amanhecer e, antes mesmo de qualquer pensamento, é você quem me visita. Ali está, Evelaine — linda, inteira, eterna — em nosso quarto, no totem que mandei fazer com tanto cuidado, como se pudesse guardar um pouco da sua presença na moldura de uma imagem.

Ainda deitado, pego o celular para espiar a agenda do dia. Mas antes dos compromissos, é o seu sorriso que me chama. A foto que escolhi — aquele instante tão nosso, tão cheio de luz — aparece como um lembrete silencioso de que o amor que vivemos continua pulsando em mim.

Levanto-me, e a casa deixa de ser apenas paredes e móveis. Por onde caminho, vou te encontrando. Nas fotografias que enfeitam os cômodos, nas lembranças que surgem de repente, nos pequenos detalhes que só nós dois entendíamos. Cada canto guarda um sussurro seu, cada passo ecoa memórias que o tempo não conseguiu apagar.

No trabalho, quando a tela do computador se acende, é novamente você quem ilumina o meu dia. Encantadora, dona de um sorriso único — aquele sorriso que sempre foi abrigo e promessa. E assim eu sigo. Há dias em que a saudade pesa mais, aperta o peito com uma intensidade diferente, quase como se pedisse para ser sentida por inteiro. Em outros, ela é mais suave, quase uma brisa mansa. Mas em todos eles, você está comigo.

Já se passaram dois anos sem o seu abraço. Talvez o esperado fosse que eu tivesse aprendido outra rotina, construído novos caminhos, deixado nossa história repousar no passado. Talvez o “normal” fosse seguir adiante sem olhar tanto para trás.

Mas o amor que sinto por você, Evelaine, nunca foi comum — e por isso minha vida também não poderia ser.

Sei que muitos não compreendem. Alguns estranham, outros julgam. Mas ninguém pode medir o tamanho de um amor que não estava preparado para virar saudade. Eu também não estava. E talvez seja por isso que continuo vivendo assim: encontrando você em cada amanhecer, guardando em cada dia a doce certeza de que o que vivemos foi grande demais para caber apenas na memória.

Encontrei na tradução de uma canção romântica, “If I’m a Fool ‘For Loving You (Se eu for um tolo por te amar), algo que não é bem o meu caso, só que a letra dela fala de um apaixonado sonhador, e eu me encaixo, sem vergonha nessa condição.

Ela diz assim:

“Se eu sou um tolo por amar você, então é isso que eu quero ser!

Eles estão dizendo que eu sou apenas o seu palhaço, e qualquer tolo poderia ver: que você está apenas se divertindo, e você não está apaixonada por mim!

As coisas que eles dizem talvez sejam verdadeiras; mas existe algo que eles não conseguem ver: se eu sou um tolo por amar você, então é isso que eu quero ser!

Se eu sou um sonhador, deixe-me sonhar!

Se eu sou seu palhaço, eu vou roubar o show!

Se as coisas não são como parecem, por favor nunca me deixe saber!

Se eu sou cego é porque eu somente não quero ver!

Se eu sou um tolo por amar você, então é isso que eu quero ser!

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego