Para Ronaldo Caiado, país enfrenta crescimento tímido, dívida pública crescente e perda de competitividade global, enquanto Goiás aposta em educação, tecnologia e gestão fiscal para se destacar

por Fernando Aires

Em meio a um debate na Associação Comercial de São Paulo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, traçou um diagnóstico duro sobre a atual situação do Brasil. Segundo ele, o país vive um momento delicado marcado por estagnação econômica, aumento do endividamento público, juros elevados e avanço da criminalidade organizada. 

Na avaliação do governador, o crescimento de apenas 2,3% do PIB reflete um cenário de baixa competitividade e alto “custo Brasil”, agravado por gastos públicos elevados e falta de infraestrutura. Ao mesmo tempo, Caiado destaca que setores como o agronegócio e a indústria ainda sustentam parte da economia, enquanto aponta a educação, a inovação tecnológica e a responsabilidade fiscal como pilares que, segundo ele, explicam os resultados positivos alcançados em Goiás. Acompanhe:

Qual é o maior problema do Brasil, hoje?

Nesse sentido, podemos aí sinalizar para o momento extremamente delicado, não só da economia brasileira, onde todos nós sabemos que agora, o presidente Lula vai tentar jogar sobre os ombros do preço do petróleo, a responsabilidade do caos que todos nós já vínhamos diagnosticando com o aumento do endividamento dos últimos três anos, de 72% para 78% do PIB, acrescendo mais de 800 bilhões de reais na dívida do governo.

Fator determinante na elevação, aí, da taxa de juros e nós sabemos que diante de tudo isso, nós teremos agora, uma demonstração em todos os gráficos, da dificuldade que vários setores estão enfrentando, várias empresas alavancadas, indústrias, também o setor rural convivendo com uma situação difícil, de ter que renegociar sua dívida a patamares de 18% a 22%, com a garantia ainda das suas propriedades. Algo que vai levar a uma nova rediscussão no setor que sempre foi sustentável.

Se nós buscarmos os últimos dados, o Brasil, agora, cresceu 2,3%. Esse crescimento do Brasil, ele foi ancorado em dois pilares: o pilar da agropecuária e também o da industrialização, que conta com a parte de mineração. Posso dizer isso, porque só no estado de Goiás, foram feitos investimentos altíssimos por já explorarmos desde 2023, terras raras pesadas e como tal passou a ser hoje, motivos de grandes investimentos, tanto no governo americano como também no japonês, com os quais também vou assinar acordo para desenvolvermos tecnologia na produção da separação desses minerais.  

Então, esses dois pontos, que sustentaram ainda estes 2,3% de crescimento do PIB brasileiro, foram os dois setores, a mineração nem tanto porque terá investimento estrangeiro mas principalmente a agropecuária e a parte da indústria, que sofreram dificuldades enormes com as renegociações de suas dívidas, tendo agora a necessidade de discutirem com o Governo uma saída para o setor.

Taxa de Juros

O terceiro ponto que coloco é o aumento do gasto do governo, um aumento irresponsável, um aumento populista, cada vez onerando mais a população e vejo que o Banco Central não terá como – a não ser que seja por uma decisão política – baixar a taxa de juros – a menos que seja uma decisão eleitoreira, mas nós não temos aí um sinal, do ponto de vista da economia, com um embasamento econômico, capaz de sinalizar ao país, aí, uma queda da taxa de juros.

Isso mostra um país estagnado, com um percentual de crescimento de apenas 2,3% ao mesmo tempo em que aumenta consideravelmente o custo do país. Nós sabemos que hoje, o “custo Brasil” abrange a falta de rodovias, a falta de infraestrutura, a burocracia implantada por parte dos empresários, isso hoje é responsável por 21% do pib brasileiro. Isso torna o país totalmente mumificado, arcaico e impede o setor produtivo de avançar.

Segurança Pública e Corrupção

Outro problema sério é o avanço jamais visto na área da criminalidade e da corrupção. Dois pilares que mais cresceram nos cinco mandatos do presidente Lula e também, da presidente Dilma, ou seja, eles estão no poder, desde a redemocratização do país, eles estão no “controle do Brasil” há 5 mandatos, ou seja, há 20 anos, e qual foi o grande diferencial que o Brasil buscou nesse período? Foi exatamente a entrada das facções criminosas na economia formal do país, ameaçando várias áreas da economia e usando o artifício ou usando exatamente a máquina, que tem dinheiro vivo, e ao mesmo tempo a criminalidade por trás de todos os seres, para constranger todos os setores.

Não tem um setor, hoje, que esteja fora da mira do narcotráfico de nosso país, se copiando, se moldando, aquilo que nós vemos acontecer no México. Ninguém pode criticar uma eleição pelas regras democráticas, só que no México, as regras são democráticas, mas quem decide quem serão os eleitos são as facções criminosas.

Então, por isso, fica claro que as facções criminosas avançaram no Brasil, em todos os poderes constituídos. Essa é a grande verdade que nós temos que enfrentar com a clareza e a coragem que precisa, senão nós os teremos no comando de todos os poderes em breve.

O que deu certo em Goiás?

Agora, um outro ponto que identifico como um dos principais do nosso alicerce, responsável também pela avaliação e a aprovação de 88% ao nosso Governo, é a questão da educação. Goiás, hoje, é o primeiro lugar no IDEB, um estado que busca parcerias nas áreas da Indústria e do Comércio, parceria com o SEBRAE nacional e do estado, obtendo também o menor percentual do Brasil em evasão escolar, dando aos nossos jovens uma nova perspectiva de vida, sem nenhum “oruam” ou “mc – disso e daquilo”, como modelos e exemplos de sucesso. Lá, os modelos de sucesso são quem trabalha, quem produz e dá condições reais de melhoria de vida. 

Com isso, nosso governo dá condições para que essa perspectiva da educação se consolide com a modernização da estrutura, com investimentos altos nas áreas de tecnologia, inovação e inteligência artificial. Em Goiás, temos na Universidade Federal o primeiro curso do país em Inteligência Artificial, já tendo formado a sua primeira turma.Tanto que hoje, nós temos um grande “hub” de tecnologia e inovação no Estado, além de sermos referência no desenvolvimento de softwares de consumo e de seguradoras no país, e também softwares que auxiliam, através da inteligência artificial, um melhor resultado na agricultura. 

Assim, Goiás tem uma altíssima produtividade por hectare, e tudo baseado em tecnologia e pesquisa. 

Eu sou médico, sou cirurgião, sou um homem que acredita na ciência, acredita na pesquisa, e percebo que o próximo presidente terá como um dos muitos desafios, avançar nas pesquisas em todos os setores, sobretudo, nos que envolvem a inteligência artificial.

Contudo, o Brasil atual é muito atrasado. Na sua legislação, por exemplo, o Brasil está copiando um modelo europeu que é o mais retrógrado do mundo, o modelo hoje que é uma cópia daquilo que foi feito por advogados para criar o ato regulatório da Inteligência Artificial, mais com o propósito de penalizar as cabeças criativas do que realmente dar espaço para que a gente tenha um grande desenvolvimento de Inteligência Artificial, bem como se tem na China, como se tem nos EUA, e outros países da Ásia que já entenderam que este é o caminho do futuro. Ou seja, estamos em sentido contrário daqueles que estão progredindo com esse novo recurso e abrindo novos mercados. 

Onde a IA pode ser mais útil?

Para vocês terem uma ideia, eu já aprovei no estado de Goiás, o marco regulatório de Inteligência Artificial, e isso mostra que agora, temos de cobrar dos deputados, uma modificação do texto que vem do Senado Federal, e que nada tem a ver com o que o Brasil espera e precisa para o futuro. 

Do contrário, estamos perdendo espaço na globalização, já perdemos espaço no pré-sal, um crescimento do PIB irrisório se comparado ao da Guiana, que já avançou em questões que o Brasil ainda discute, como as nossas riquezas do subsolo, além de protocolos e empecilhos por um falso CONAMA, que realmente não conhece a realidade do Brasil e tá muito mais a dificultar as ações do Governo e do desenvolvimento do nosso país, com essa farsa de que estaria defendendo o meio ambiente. 

Aliás, defesa do meio ambiente, eu posso dizer que faço no estado de Goiás, na recuperação das maiores bacias aquíferas do meu estado, como também sou o único estado que paga por serviço ambiental. Ou seja, lá, o cidadão tem direito a 80% do desenvolvimento da sua propriedade. Se ele não tiver capital para poder promover ali o desmatamento para plantio, eu pago R$ 480,00 por hectares, por ano, para ele “manter em pé”. Se tiver, ali, uma nascente de água, eu pago R$ 600,00 por hectares, por ano, para ser mantida intacta. 

Então isso são políticas objetivas. Políticas que nós desenvolvemos na educação, no agronegócio, e claro, com a profissionalização da educação, nós temos hoje algo diferenciado no Brasil. 

Quando eu criei a “Bolsa-Estudo”, foi para mostrar que precisamos repensar a educação brasileira, no sentido de não termos apenas aquilo que é o ensino fundamental e no sexto ano seguido, o ensino médio. Nós “copiamos” um sistema de ensino, aplicado no Ceará pelo então governador Tasso Jereissati, que se preocupa que a criança aprenda o que precisa na idade certa, ou seja, a criança chega no segundo ano do ensino fundamental,  sabendo realmente ler, escrever e ao mesmo tempo interpretar o texto. Isso fez com que Goiás avançasse dentro dessa qualificação tanto no Fundamental quanto no Ensino Superior.

Ensino Superior é satisfatório?

Outra luta minha, pela qual batalhei muito como senador da república no Ensino Superior, foi para que também tivéssemos provas de proficiência, e acabássemos com essa esculhambação no país, que é a liberação de faculdades de medicina e que hoje, ultrapassam mais de 490 faculdades no território brasileiro.

Ou seja, a saúde se transforma muito mais em um veio mercantilista, do que na capacidade de formação de médicos qualificados para atender os pacientes. Hoje, as provas mostram que mais de 30% dos estudantes de medicina são reprovados e se nós buscamos uma avaliação mais profunda sobre  o corpo docente dessas faculdades, eu posso garantir a vocês que vamos fechar mais de 70% das faculdades de medicina no país.

É isso que precisa ter um fim, essas irresponsabilidades populistas que você vê no Brasil. O atual governo não tem políticas sociais eficazes, têm políticas de escravização das pessoas,  tentando transformá-las em dependentes dos benefícios do governo, em vez de emancipá-las. 

Programas Assistencialistas

Algo totalmente contrário do que fazemos em Goiás. Ali, temos orgulho de mostrar que cada vez mais famílias saem do Bolsa Família, o que aumenta o poder de consumo na nossa economia. Ali, trabalhamos para aumentar a lucratividade da população, dando a cada trabalhador a possibilidade real de progredir, dando às crianças, a capacidade de sonhar e experimentar caminhos melhores, através de colégios tecnológicos, cursos de informática, robótica, proporcionando convênios com o Google, onde esses jovens ganham uma oportunidade de estágio. Ali, o estudante conta com uma merenda de peso, não graças aos  R$0,70 de repasse do Governo Federal, mas com a participação robusta do nosso Governo Estadual que possibilita uma alimentação digna. 

Com tudo isso, a nossa política é aplicada de forma a garantir uma qualidade estável, no mínimo, pelos próximos 10 anos. Quando fui eleito governador de Goiás, na Saúde, a falta de um hospital em Goiânia, fazia com que inúmeros óbitos acontecessem, em razão de que tais famílias não podiam percorrer 680 km para serem atendidas com a devida urgência. Era um estado quebrado, ineficiente, desacreditado. Hoje, esse mesmo Estado, consegue investir 13% de sua arrecadação na própria infra-estrutura, e entrego, com orgulho, o governo, com superávit de 9.4 bilhões em caixa, mostrando que o potencial em qualquer lugar do Brasil, depende da gestão e não do discurso. 

E aí eu encerro dizendo a vocês que a gestão é acompanhada de autoridade moral, que hoje não se tem. Na minha primeira crise, eu cortei 25% do décimo terceiro e quarto de todos os poderes, e que foi acolhido por todos eles, que entenderam o nosso quadro de colapso, na época. 

Portanto, o próximo presidente da República, deverá chamar à ordem todos os demais poderes, para que realmente haja regramento correto do que seja uma república e dos poderes constituídos. Trabalhando pelo lado certo, investindo, economizando com a própria máquina e dando oportunidade aos brasileiros de terem uma real esperança no futuro do país. E tomara, essa esperança já aflore agora em 2026.