por Pedro Hensel

Na Parashá Bamidbar (No deserto/Números 1:1-4:20), segundo o Livro Devarêcha Yair, Dus ordena contar todos os homens acima de 20 anos do Povo Judeu. A Torá enumera os nomes dos líderes de cada tribo e fornece a soma de cada tribo per si e, em seguida, a soma total de todos os filhos de Israel. Dus diz que os leviyim serão contados separadamente.
Depois, a Torá descreve como cada tribo acampará no deserto. O Mishcan/tabernáculo/templo portátil ficará no centro, a sua volta acamparão os leviyim com Moshê a Aharon e, á volta deles, acamparão as tribos. Cada três tribos juntar-se-ão sob a bandeira de uma delas e acamparão em ponto cardeal:a bandeira de Yehudá ao Leste, com as tribos de Yehudá, Yissachar e Zevulun; a bandeira de Reuven ao Sul, com as tribos de Reuven, Shim´on e Gad. A bandeira de Efráyim a Oestem com as tribos de Efráyim, Menashê e Binyamin; e a bandeira de Dan ao Norte, com Dan, Asher e Naftali.
Depois Dus oderna contar todos os levyim para o serviço do Mishcan. No caso desta tribo, não se conta somente os hoems a partir dos 20 anos, mas todos os varões a partir de um mês de vida.
O motivo desta contagem é que Dus queria que fosse realizada uma equivalência entre todos os primogênitos de Israel e os leviyim. Até ocorrer o pecado de bezerro de ouro, o plano Divino era que todos os primogênitos de cada família e de todas as tribos servissem no Santuário. Uma vez que todos participaram do pecado de bezerro de ouro com exceção da tribo de Levi, Dus decretou que somente esta tribo teria o direito de realizar o serviço no Templo.
Por isto, mandou corresponder cada primogênito das tribos por um levi. O número de primogênitos de 20 anos em diante (22.273) era maior que o número de leviyim de um mês em diante (22.000). Havia 273 primogênitos a mais. O que fazer com eles? A Torá demanda que cada um desses primogênitos excedentes – que não têm um levi para correponder-lhes – terá que pagar cinco shekalim de prata para ser “resgatado” do serviço no Mishcan.
Para não haver confusão, foram feitas 22.000 plaquinhas com os dizeres “Ben Levi” (Membro de Levi) e 273 plaquinhas com os dizeres “5 shekalim” e cada primogênito teve de tirar sua sorte. Quem recebeu a plaquinha “Ben Levi” foi substituído por um levi e aquele que tirou a plaquinha de “5 shekalim” pagou esta soma como resgate.
No final desta parashá, a Torá expõe a organização dos leviyim, contando os homens de 30 a 50 (faixa etária em que ajudavam a carregar o Tabernáculo) e enumerando quais serão as tarefas dos leviyim no serviço de desmontar, embalar e transportar as várias partes do Mishcan e seus utensílios. Como Levi teve três filhos – Guershon, Kehat e Merari – os descendentes de cada um eram considerados um grupo de per si que carregava partes específicas.

E por fim, segundo a perspectiva reformista apresentada no Comentário Plaut (A Torah: Um comentário moderno), por que a Torá foi dada no deserto? Porque o deserto é aberto e acessível a todos os seres humanos, como está dito em Isaías (55:1): “ Que todos os que estão com sede venham para a água, isto é a Torá).
Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.



