por Sérgio Miranda

Aqui, nesse diário, tem a narração de uma história linda de amor, mas que teve um trágico fim, e por isso a tristeza domina os textos que são reflexos da minha vida agora.
Nesse espaço não tenho a intenção de trazer uma mensagem de esperança ou de motivação, e nem quero apresentar uma história perfeita, até porque bem sei que nunca fui um marido ideal para você, Evelaine, que merecia um verdadeiro príncipe.
Só quero falar do meu amor por você, e o quanto sinto sua falta.
Já tem gente que apoia, como por exemplo, uma pessoa que ontem me apresentou com uma canção: “Morir Al Lado de Mi Amor”, que falou muito ao meu coração.
Essa canção “Morir Al Lado de Mi Amor” (Morrer ao lado do meu amor), trata o amor como algo que sobrevive ao tempo e até à morte, e esse tem sido o meu objetivo aqui. A letra dela, profundamente romântica fala sobre amor e mortalidade. A ideia central não é tristeza pura, mas consolo diante da morte através da presença do ser amado: morrer sem medo, acompanhado pela voz, perfume e olhar da pessoa amada. É uma visão quase espiritual do amor.
Ao ouvi-la e conhecer sua tradução fui levado a reviver aquele início de uma noite muito triste de terça-feira (16/01/24), a mais triste de todas, quando testemunhei você partir, meu amor.
Eu estava ao seu lado, como fiquei aquele dia todo, e acompanhei a sua lenta e muito triste partida.
Seus olhos, apesar de abertos, já não me viam. Seus lábios já não pronunciavam palavras, mas da sua boca saia um som, que dias depois soube se tratar do som da morte. Alguns especialistas dizem que você ainda podia me ouvir, mas não sei. Sei que por horas falei muito com você, e orei, e chorei, chorei gemidos de dor por ver você me deixar.
Naquele momento, te vendo balançar a cabeça, como se estivesse procurando ar para respirar, demonstrando um desconforto, uma agonia, mas ainda com vida, o que eu podia fazer era continuar a segurar sua mão, meu amor, te acariciar o rosto, e te manter aquecida.
Enquanto isso orava para que o milagre chegasse a tempo. Ainda tinha tempo.
Mas o que assisti pouco tempo depois foi você virar o rosto para o lado, o lado do leito que eu estava, e soltar seu último suspiro, e ficar parada, estática.
Sem saber que você já tinha partido continuei ali, ao seu lado, segurando sua mão, e ainda confiando em um milagre.
Em seguida o médico entrou no quarto e disse: “Sua esposa fez a passagem, lamento “. Ainda sem entender o que estava acontecendo, em seguida ouço a chefe das enfermeiras me falar que iria me deixar ali por um tempo, e assim ficávamos só nós dois.
Continuei ao seu lado, Evelaine, e me certifiquei que você estava bem coberta, para não sentir frio e comecei a falar com você sobre os nossos planos para quando você saísse, e depois li para você um poema que eu tinha escrito em uma das noites que te acompanhei na UTI, e que até já tinha lido para você em casa, e depois, talvez em um momento de lucidez, comecei a orar e chorar, implorando por um milagre.
Assim foi, meu amor, aquela noite, que essa canção me fez reviver.
A tradução dela diz assim:
Se eu tiver que morrer, eu quero que você esteja lá.
Eu sei que muito amor me ajudará a descer mais além.
Então direi adeus sem medo e sem dor.
Na solidão reviverei os anos de felicidade.
Para cruzar o limiar eu não quero mais nada, mantida pela sua voz
Morrer ao lado do meu amor, dormirei te observando.
O tempo que passou jamais nos separou
Ele nos unirá em um canto profundo da eternidade.
No momento da final eu só quero o seu olhar com seu perfume ao redor.
Morrer ao lado do meu amor, dormirei te observando.
Para cruzar o limiar eu não quero mais nada, mantida pela sua voz
Morrer ao lado do meu amor, dormirei te observando.”
Assim como diz essa letra, Evelaine, você partiu.
O problema, meu amor, é que eu fiquei, e fiquei sem você, mas te amando como se aqui você estivesse, minha Doce Evelaine.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego



