por Sergio Miranda

Passamos por esta vida tão depressa que os dias se confundem, as semanas voam, os meses desaparecem e os anos passam quase sem percebermos. Mas existem dias que ficam eternamente marcados em nossa história, não importa quanto tempo passe.

Lembramos com carinho do nascimento de um filho, com nostalgia do dia em que nos casamos, ou com emoção de algum acontecimento especial que mudou nossas vidas.

Eu, desde o dia 16 de janeiro de 2024, comecei a viver um tempo diferente.

Naquele dia, exatamente por volta das 22h35, você, Evelaine, me deixou.

A partir de então, o dia 16, não importa de qual mês, tornou-se uma marca, uma cicatriz profunda em minha alma.

Busquei, entre tantas imagens, as lembranças de outros dias 16 que vivemos juntos. Dias comuns, rotineiros, alguns especiais por serem finais de semana ou por nos proporcionarem momentos inesquecíveis. Mas todos pareciam apenas mais um dia, como tantos outros de nossa vida compartilhada.

Naquele 16 de janeiro de 2024, estávamos em um período em que costumávamos estar de férias e, na maioria das vezes, viajando. Eu jamais poderia imaginar que aquele seria o dia mais triste da minha vida. Não importa quantos anos eu ainda viva, será sempre o dia em que meu coração chorou da maneira mais dolorosa, angustiante e cruel.

Já contei neste diário, em detalhes, como foi aquele dia. Tudo parecia anunciar apenas mais um dia tranquilo e leve, como tantos outros que vivi ao seu lado, meu amor. Mas não foi assim.

Aquele foi o dia em que descobri que minha vida mudaria para sempre.

Ainda vejo, diante dos meus olhos, cada detalhe daquela terça-feira: seu sorriso ao me receber, seu beijo quando me aproximei, sua voz fraquinha contando o que sentia e aquele sorriso que você distribuía a todos que chegavam perto. Mesmo em meio a tanto sofrimento, seu sorriso continuava vivo, sincero e abençoador. Como sinto falta dele, Evelaine!

Naquele dia, naquele maldito dia, eu perdi você, minha doce Evelaine.

Dizem que tudo já estava escrito para acontecer assim. Por quê? Não sei. Só sei que aquele dia voltou comigo para casa e permanece em mim, assombrando minhas lembranças e ferindo meu coração.

Ao ver seus olhos se apagarem, seu sorriso desaparecer e não poder mais sentir suas mãos tocando as minhas, comecei a despencar em um abismo, sem encontrar onde me segurar.

Eu vi você partir, Evelaine, como tantas outras vezes nesta vida vi você se afastar por causa dos nossos compromissos e trabalhos. Mas, antes, sempre existia um reencontro, um abraço apertado e um beijo doce para matar a saudade.

Dessa vez, não. Não haveria reencontro. Restava apenas o adeus, a partida definitiva e um vazio que jamais imaginei conhecer.

Mais uma vez, venho aqui procurar você nas minhas lembranças, abrir meu coração e escrever sobre aquele dia. Porque o tempo passa, a vida continua, mas eu não esqueço de amar você. Foi assim desde o instante em que nos conhecemos e você acendeu a luz da minha vida.

Hoje, sigo com o coração cheio de saudade, tentando continuar a caminhada. Vivo tempos novos, com novas possibilidades, mas nada apaga a nossa história.

Nosso amor permanece vivo, guardado em mim para todo o sempre, assim como cada sorriso, cada beijo e cada instante que tive a felicidade de compartilhar com você, minha doce Evelaine.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego