Loja da Celso Garcia marcou gerações, preservou a memória do Cine São Jorge e se tornou referência no comércio paulistano por 52 anos. Saiba Mais:
Da Redação / Fotos: Divulgação/SP Antiga

No dia 23 de agosto, o bairro Tatuapé, na zona Leste de São Paulo, se despediu de um de seus símbolos mais marcantes: a CIC Calçados.
Fundada em dezembro de 1972 por Ary Borges Fidelis, a loja ocupava um imponente espaço de 5 mil metros quadrados na Avenida Celso Garcia, nº 5.344, na esquina com a Rua Cesário Galero. Durante cinco décadas, o endereço foi sinônimo de tradição, variedade e da vitrine iluminada que chamava a atenção de quem passava.
O encerramento das atividades aconteceu poucos meses após a morte de Fidelis, em junho deste ano, aos 90 anos. Sem o comerciante à frente, os herdeiros optaram por encerrar o negócio. “A loja era a vida dele”, recordou, emocionada, uma funcionária que acompanhou de perto a trajetória do fundador. Apesar do sucesso e da história por trás do prédio, o terreno já foi negociado com uma construtora e deverá abrigar um novo empreendimento.
Contudo, a lembrança do CIC seguirá viva na memória da comunidade.
A história guardada nas paredes

O CIC nasceu onde antes funcionaram o Restaurante Laçador e o Cine São Jorge, ícones da vida cultural e social do bairro. A fachada do cinema foi preservada, tornando-se um elo entre o passado e o presente.
O Cine São Jorge, inaugurado em 1945, era conhecido por sua imponência e pelas matinês que uniram muitos casais. Também foi palco dos animados bailes de carnaval do Corinthians, realizados antes da construção do ginásio do clube.
Com capacidade para mais de duas mil pessoas, o cinema encerrou as atividades em janeiro de 1973, sendo adquirido por Fidelis, que transformou o espaço em Cine CIC. A memória desse tempo permaneceu gravada no prédio e no imaginário dos moradores.
A vitrine que encantava o bairro
A loja ficou famosa por sua vitrine gigante, com mais de 100 metros lineares de calçados expostos e uma fachada que brilhava à noite com lâmpadas fluorescentes. Para muitos, passear pela Celso Garcia significava parar diante do CIC e admirar os modelos ali exibidos. No auge, a empresa chegou a empregar mais de cem colaboradores. Nos últimos anos, esse número havia se reduzido para 15, mas o espírito de acolhimento e proximidade com os clientes permaneceu.
O CIC também manteve uma filial na Mooca, ampliando sua presença na Zona Leste. O segredo do sucesso, segundo os que conviveram com Ary Borges Fidelis, estava em sua presença constante no balcão: atendendo pessoalmente, ouvindo os clientes e cobrando dedicação e organização de sua equipe.
Agora, o prédio deve dar lugar a um novo empreendimento, mas para muitos moradores, a CIC Calçados permanecerá como parte inseparável da memória afetiva do bairro — um ponto de encontro, de tradição e de histórias vividas ao longo de mais de meio século.


