por Diego Mubarack de Melo Xavier

Participar da COMPOL (Congresso de Comunicação Política e Institucional) 2025 em São Paulo foi uma experiência transformadora e, ao mesmo tempo, um chamado à responsabilidade para quem vive a comunicação política no Brasil. Os dois dias evidenciaram não só as evoluções tecnológicas e estratégicas do setor, mas também as contradições e tensões éticas que desafiam consultores e estrategistas diariamente.
Os diálogos que marcaram o evento foram muito além de “palestras expositivas”. No primeiro dia, os participantes mergulharam em discussões sobre o uso de inteligência artificial, automação e análise de dados — temas que já estão redefinindo a microsegmentação de campanhas e a eficiência dos recursos investidos. O otimismo no potencial dessas ferramentas era evidente, mas pairava uma inquietação: até que ponto a hiperpersonalização pode respeitar a privacidade e o livre-arbítrio do eleitor? Ouviu-se de especialistas alertas importantes sobre os riscos de manipulação algorítmica e a perda de humanidade na comunicação política.

Minha crítica aqui é direta: muitos palestrantes pareceram subestimar o potencial de danos sociais quando se prioriza apenas desempenho e resultado, sem um debate rigoroso sobre impactos democráticos. Apesar disso, elogio a coragem dos poucos que trouxeram essa discussão ao palco — um tema urgentíssimo diante do cenário eleitoral que se aproxima.
No segundo dia, os debates escalaram em tensão ética. O painel sobre gerenciamento de crises e combate às fake news foi palco de embates produtivos, com consultores narrando os bastidores de campanhas que quase implodiram por má gestão da verdade. A polarização apareceu como ponto central: campanhas digitalmente agressivas geram resultado rápido, mas deixam marcas profundas no tecido social e na reputação das marcas políticas envolvidas.
Aqui, faço uma avaliação contundente: o evento pecou pela ausência de um debate mais amplo sobre regulamentação e autorregulação do setor. Em tempos de eleições polarizadas, o papel da comunicação política deveria ser provocar conciliação e esclarecimento, não só maximização de engajamento. Identifico avanço em pautas como transparência e responsabilidade social das agências, mas a sensação final é de que ainda estamos engatinhando na construção de um ambiente midiático realmente saudável.
De positivo, o networking foi inigualável: a troca intensa de experiências entre diferentes regiões do Brasil deixou evidente que quem investe em atualização técnica e networking na COMPOL torna-se referência em seu estado. O evento celebra a criatividade e o potencial empreendedor dos profissionais de comunicação, renovando o otimismo de que há, sim, como inovar sem perder a ética.
O saldo da COMPOL 2025 é ambivalente. Saí inspirado pela vitalidade do setor e pela criatividade dos colegas, mas também preocupado com a urgência de aprofundarmos o debate sobre limites éticos e responsabilidade cívica. Se queremos uma democracia forte, precisamos de uma comunicação política igualmente comprometida com o bem comum, não apenas com o resultado a qualquer custo.


