Após mobilizar protestos em várias cidades brasileiras, caso que tirou a vida do cachorro Orelha tem um dos adolescentes investigados excluído como suspeito; polícia segue apurando participação de outros menores e possíveis coações de testemunhas
por Fernando Aires

O caso que chocou o país envolvendo a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, no litoral de Santa Catarina, ganhou novos desdobramentos nesta semana com a atualização das investigações policiais.
O cãozinho que tinha em torno de 10 anos e era querido por moradores da região, foi brutalmente agredido por um grupo de adolescentes no início de janeiro e, em decorrência da gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia.
A Polícia Civil de Santa Catarina descartou a participação de um dos quatro adolescentes inicialmente apontados como suspeitos. Segundo a corporação, o jovem não aparece nas imagens analisadas e sua família apresentou provas de que ele não estava na Praia Brava no dia dos fatos, fazendo com que ele passe agora a figura de testemunha no processo, e não mais de investigado.
Investigação em andamento e novos focos
Apesar dessa exclusão, as apurações continuam em relação aos outros três menores de idade, que ainda são considerados suspeitos pela Polícia. A investigação inclui não só a morte de Orelha, mas também uma possível tentativa de afogamento de outro cachorro conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar com vida.
As equipes de investigação analisaram centenas de horas de imagens de câmeras de segurança e ouviram dezenas de testemunhas, em busca de detalhes que permitam identificar exatamente a participação de cada um dos jovens no crime.
Além disso, há relatos de que familiares dos adolescentes podem ter tentado coagir testemunhas, incluindo pressão sobre um porteiro que registrou imagens do ataque, o que também está sendo apurado pela polícia.
Repercussão nacional e protestos
A morte de Orelha provocou uma onda de comoção e indignação em todo o Brasil, mobilizando protestos em várias cidades, com pedidos de justiça e maiores punições para crimes de maus-tratos a animais. Em São Paulo, por exemplo, cerca de mil pessoas se reuniram na Avenida Paulista para cobrar responsabilização dos envolvidos.
O caso também repercute nas redes sociais e entre organizações de defesa animal, impulsionando discussões sobre a necessidade de ações mais efetivas no combate à violência contra animais e sobre a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que rege procedimentos envolvendo suspeitos menores de idade.
Aspectos legais
Por envolver adolescentes, o processo segue sob a tutela do ECA, que prevê medidas socioeducativas para menores de 18 anos em vez de punições típicas do Código Penal. Caso as condutas sejam comprovadas, os jovens podem ser submetidos a medidas como internação, por prazo determinado conforme a legislação.
Enquanto a investigação prossegue, a memória de Orelha permanece como símbolo da luta contra maus-tratos a animais e da mobilização social em prol de justiça e proteção.



