
Hoje trago à memória um dos momentos mais ternos do nosso passado — um daqueles que, quando volto a ele, enche meu coração de uma saudade doce e profunda, Evelaine. Na verdade, essas lembranças caminham comigo o tempo todo. Passam pelos meus pensamentos como um perfume antigo que insiste em permanecer no ar, em cada lugar por onde ando.
Quero lembrar daquela sexta-feira especial. Eu estava voltando de Curitiba, depois de alguns dias por lá, e precisava seguir viagem para continuar o trabalho em Águas de Lindóia. Mas o meu coração não aceitou simplesmente passar direto. Dei um jeito de ir até em casa… só para te ver.
Naquela época eu trabalhava como gerente da Livraria Luz e Vida, no centro de São Paulo. Você, meu amor, ainda não trabalhava comigo na loja — algo que aconteceria algum tempo depois, e que tornaria nossos dias ainda mais próximos.
Naquela semana eu havia sido chamado para um encontro de gerentes na matriz da empresa, em Curitiba, algo que acontecia com certa frequência. Lembro bem de como aquela viagem era cansativa. Eu a fazia dirigindo nosso Del Rey, por cerca de seis horas de estrada. Os compromissos eram muitos, e a rotina de cuidar da livraria — a maior do segmento evangélico na capital paulista — era intensa. Além das responsabilidades diárias da loja, eu também precisava participar de eventos importantes do meio.
Um desses eventos aconteceria naquele fim de semana, no Hotel Majestic, em Águas de Lindóia. O pastor Caio Fábio estaria lá, atraindo muitas pessoas, e eu precisava chegar naquela mesma noite de sexta-feira. O lógico, o mais sensato, seria ir direto de Curitiba para Águas de Lindóia.
Mas o amor nem sempre segue a lógica.
No início da noite eu apareci em casa, te surpreendendo. Você estava com nossos três filhos na sala, assistindo televisão. Quando eles me viram, a alegria tomou conta da casa. Fizeram festa, correram para mim, e eu tentei dar a eles toda a atenção possível. Mas meus olhares para você me denunciavam. E você, meu amor… você entendeu.
Com a cumplicidade silenciosa de quem se ama, demos um jeito de distrair as crianças e subimos para o nosso quarto.
Ali, diante de você, as palavras se tornaram desnecessárias. Nós apenas nos olhamos. E naquele instante o mundo pareceu parar. Por alguns momentos existíamos apenas nós dois.
Nos amamos com a intensidade de dois recém-casados apaixonados, como se o tempo tivesse voltado ao começo de tudo. Como se cada abraço fosse precioso demais para ser desperdiçado. Como se fosse a última vez.
Como foi bom, meu amor… te amar daquela maneira inesperada, sem planos, sem aviso, apenas guiados pela saudade e pela paixão que sempre existiu entre nós.
Quando tudo terminou, nos olhamos outra vez. Eu, meio constrangido pela pressa que ainda me esperava, disse baixinho:
— Preciso ir.
Você, sem se ofender, sem ficar chateada, apenas sorriu — aquele sorriso lindo que sempre dizia mais do que qualquer palavra — e me beijou com a compreensão de quem conhecia meu coração.
Naquele momento eu me senti como um amante desses romances antigos, que se encontra às pressas com sua amada, roubando alguns instantes do destino antes de partir novamente.
Foi uma parada rápida… mas que me fez um bem imenso. Bastou para matar um pouco da saudade de você, Evelaine. Eu voltaria quatro dias depois, mas naquele dia eu não conseguiria esperar nem mais um minuto.
Hoje me lembro desse momento com um carinho imenso. Era um tempo em que eu ainda podia correr até você para matar a saudade dos seus abraços e dos seus beijos.
Agora estou aqui, lembrando de tudo isso… e percebendo que, mesmo depois de mais de dois anos e dois meses sem você, essa mesma saudade ainda aperta o meu peito. Ela ainda me faz te querer com a mesma intensidade de antes.
Mas você já não está aqui.
E sei que nunca mais estará.
Ficou apenas essa saudade imensa… de você, minha doce Evelaine.



