Por Sérgio Miranda

Há amores que passam pela vida como uma estação.

Há outros que permanecem apenas como uma lembrança distante.

E há aqueles raros, profundos e verdadeiros — que se tornam a própria razão de existir.

A minha história é sobre um amor assim.

O nome dela é Evelaine Cristina Andrade Miranda. Minha esposa, minha companheira, minha melhor amiga, o grande amor da minha vida. Durante 41 anos caminhamos lado a lado, construindo uma história que não foi perfeita, mas foi real — e exatamente por isso, profundamente bela.

Esse diário é um espaço sagrado que reservei para falar do maior amor que já habitou a minha vida: Evelaine Cristina Andrade Miranda.

Ela não foi apenas a mulher com quem dividi os meus dias — foi o amor que deu sentido a cada amanhecer, a presença que transformava qualquer momento simples em felicidade, a luz que iluminava o meu caminho.

No dia 16 de janeiro de 2024, ela partiu. Um câncer que havia voltado depois de dez anos acabou levando embora o corpo da mulher que eu tanto amava. Lutamos juntos. Enfrentamos tratamentos, nos agarramos à esperança, acreditamos em milagres. Mas, mesmo com toda a fé que carregávamos no coração, nada foi capaz de mudar o rumo dessa doença cruel, que me roubou o amor da minha vida e deixou em mim um silêncio que nenhuma palavra consegue preencher.

Hoje completam dois anos e dois meses desde que minha doce Evelaine partiu deste mundo. E desde então tenho voltado aqui, dia após dia, para contar um pouco da nossa história — uma história que começou entre desafios, quando precisei conquistar o coração daquela mulher tão especial, e que floresceu no mais puro, sincero e verdadeiro amor que um homem e uma mulher podem viver.

Este diário não é um conto de fadas. Não é uma história perfeita com um final feliz. Nunca quis esconder as imperfeições da vida, nem fingir que só existiram dias de alegria. O que eu desejo, acima de tudo, é guardar a memória da mulher mais linda, doce, sábia e extraordinária que já conheci.

Quero que estas páginas preservem a grandeza da Evelaine, para que um dia meus netos possam compreender quem foi a avó deles — como ela viveu, como ela amou, e o quanto foi profundamente amada.

Desde que ela partiu, incontáveis dias já passaram. E na maioria deles eu vim até aqui para escrever sobre ela — sobre um gesto, uma lembrança, um detalhe da nossa vida que ainda vive dentro de mim. E porque sou apenas um homem, com um coração que ainda sangra de saudade, muitas vezes também escrevi sobre a dor da ausência que ela deixou.

Uma saudade que não diminui com o tempo.

Uma saudade que caminha comigo em cada dia vivido sem ela.

E que, eu sei, seguirá comigo por todos os dias que ainda terei que viver.

Foi assim que escolhi continuar existindo: mantendo viva a memória da minha amada, lembrando dela todos os dias, permitindo que o amor que vivemos continue respirando dentro de mim — mesmo que muitas vezes esse amor venha acompanhado de lágrimas.

Durante mais de dois anos escrevi neste diário todos os dias. Cada dia uma lembrança. Cada lembrança um pedaço da nossa história.

Agora continuo escrevendo, mas de outra maneira — sem pressa, sem obrigação, deixando que seja o próprio coração quem escolha o momento certo de falar.

Espero apenas o instante em que a memória me chama, em que a saudade se transforma em palavras, para então voltar aqui e contar mais um pouco sobre a minha Evelaine.

E mesmo quando o silêncio ocupa estas páginas, a verdade permanece:

eu continuo vivendo a saudade desse amor todos os dias.

Porque alguns amores não terminam com a despedida.

Alguns amores atravessam o tempo, permanecem na alma, e se tornam eternos.

E o meu amor por Evelaine é assim.

Eterno.

Imenso.

E para sempre vivo dentro de mim.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego