Ex-deputado e ex-candidato a vice-presidente diz priorizar atuação no setor privado, com ações judiciais para corrigir subfinanciamento da saúde e fortalecer empresas em setores regulados

por Fernando Aires

O ex-deputado federal Índio da Costa, que ganhou projeção nacional ao ser escolhido por José Serra como candidato a vice-presidente na eleição de 2010, afirmou que, neste momento, suas prioridades estão fora da disputa eleitoral. Em entrevista, o advogado destacou que tem concentrado esforços na iniciativa privada e em projetos com impacto social, especialmente ligados ao financiamento da saúde pública no Brasil.

Pai de Sofia e Eva e marido de Andrea, Índio da Costa é advogado com especialização em políticas públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em gestão e finanças pelo Insper. Atualmente, ele integra o conselho político da Associação Comercial de São Paulo e acompanha o debate público, embora sem planos imediatos de disputar cargos eletivos.

Segundo ele, grande parte de sua atuação recente tem sido dedicada à defesa judicial de hospitais filantrópicos e instituições conveniadas ao Sistema Único de Saúde, como Santas Casas e entidades hospitalares em diversas regiões do país. A iniciativa busca garantir que os repasses federais cubram de fato os custos dos procedimentos realizados por essas instituições.

“No momento, eu tenho ações judiciais contra União, em grande quantidade, na defesa de hospitais que são conveniados ao SUS, como a Santa Casa de São Paulo, de Araras, de Limeira, enfim, as Santas Casas aqui de São Paulo e do Brasil todo. São centenas de ações, para poder fazer com que o dinheiro que a União repassa aos hospitais, pague o custo dos procedimentos”.

Segundo Costa, há diferenças nos valores repassados pelo Governo Federal, entre os Hospitais Federais e os “conveniados” para atender ao SUS, o que onera e prejudica a população quando ela mais precisa da Saúde: “Nós desenvolvemos 4 teses diferentes e temos trabalhado com muita dedicação nelas, e claro, a gente tem ganho muitas ações na Justiça, o que naturalmente melhorou a saúde do Brasil, aos poucos, né? O que ocorre é que há um sub-financiamento do Governo Federal na área do SUS conveniado, inclusive, com valores diferentes daqueles que são pagos para os Hospitais Federais, em comparação com os valores pagos aos hospitais que são conveniados ao Sistema Único de Saúde. E quem paga a conta é a sociedade no fim do dia. Então, trata-se de uma atividade privada, mas com altíssimo impacto social”. 

Movimento Empresarial

Pensando no aprimoramento dos serviços privados em áreas reguladas pelo Poder Público e na maior eficiência de ambos os lados para a população, Índio da Costa criou um novo movimento empresarial:  

“Eu tô montando um movimento, inclusive, esse movimento ele chama-se “Braques” e a ideia é fortalecer empresários que atuam em setores de mercado regulado, seja por dependência de política pública, definições legais para políticas públicas, aonde envolve por exemplo, o SUS, como rede conveniada, ou seja por determinações que o governo legalmente instituiu mais que o mercado ainda não entendeu. Então a ideia é fazer essa ponte entre o público e privado, para apoiar as empresas que atuam no setor regulado e melhorar a qualidade dos serviços prestados à sociedade”.