por Sérgio Miranda

Diário de uma saudade, que dói…

O fim de uma história de amor não é apenas um ponto final — é um silêncio profundo, acompanhado de uma saudade que ecoa e de uma tristeza que, por vezes, parece não ter fim.

Tenho vivido essa verdade em cada dia que passa sem você, minha doce Evelaine. Conto o tempo não por vaidade, mas pela esperança inquieta de que, em algum lugar do destino, nossos caminhos possam se cruzar novamente — ainda que seja apenas para te ver de longe e, em silêncio, saber que você está bem.

Desde 16 de janeiro de 2024, sua ausência transformou meus dias. Sinto-me como alguém esvaziado de sonhos, de desejos, de esperança. A vida que sigo, quase por obrigação, já não tem o mesmo brilho de quando você estava aqui.

E, ainda assim, o que me sustenta são as lembranças… As que guardo com carinho e as que revisito nas fotos, nos vídeos, nos lugares onde estivemos e até nas pessoas que fizeram parte da nossa história. Hoje, ao olhar algumas fotos suas, senti mais uma vez o quanto era bom simplesmente estar ao seu lado.

Não importava o cenário — um jantar especial, um passeio qualquer ou apenas o conforto do lar — tudo se tornava mágico com você. Havia uma perfeição simples, um aconchego raro, como se o tempo desacelerasse só para nos permitir viver.

Sua companhia, Evelaine, era meu porto seguro. Você me trazia paz, leveza e a doce ilusão de que aquilo tudo seria eterno. Seu bom humor, seu jeito carinhoso, sua delicadeza, sua forma sábia de ver o mundo… tudo em você era encantador.

E não, não é só agora que percebo isso. Eu sentia, em cada instante, que a sua presença me completava. Você sempre foi, e sempre será, parte de mim.

Hoje, o que mais desejo é poder te tocar novamente… sentir você entre meus dedos, encontrar seu olhar e receber, só para mim, aquele sorriso que iluminava tudo ao redor.

Ontem à noite, ao sair tarde do trabalho, tentei me distrair. Passei em um shopping com a intenção de assistir a um filme, mas não consegui. Fiquei ali, parado na entrada do cinema, observando os cartazes, sentindo o cheiro da pipoca e tentando reunir forças para entrar… mas as lágrimas vieram antes.

Era impossível ignorar o vazio ao meu lado — o espaço que só você preenchia. Caminhei pelos corredores e, sem querer, revivi nossos momentos. Lembrei de você olhando vitrines com atenção, encantada com cada detalhe, cada sapato, cada roupa… e depois, serenamente, saindo sem levar nada.

Eu sempre perguntava, curioso:

“Você gostou, não vai levar?”

E você, com aquele sorriso tranquilo, respondia:

“Só estava olhando.”

E então seguíamos para outra loja, repetindo o mesmo ritual, até irmos embora de mãos vazias, mas com o coração cheio.

Ah, Evelaine… como doeu reviver isso sozinho. As lágrimas, tímidas no começo, logo se tornaram um choro impossível de conter.

Sentei-me para comer um pedaço de pizza, mas nem isso trouxe conforto. Ao meu redor, casais conversavam, riam, se tocavam… e, por um instante, senti como se nunca tivesse vivido aquilo — como se tudo tivesse sido apenas um sonho distante.

Depois, peguei um trem na estação próxima e fui para casa, olhando a paisagem pela janela… mas, na verdade, só via você. Sempre você, em meus pensamentos, em meus olhos, em tudo.

Ao chegar, tomei um banho, sentei no sofá e, sem vontade de ligar a televisão, fiquei apenas olhando minhas próprias palavras, essas que escrevo para tentar sobreviver à sua ausência… até que o sono, enfim, me venceu.

E assim terminou mais um dia sem você, minha doce Evelaine…

Mais um dia vivendo apenas de saudade.