por Pedro Hensel

Parashá Chukat, segundo o Livro Devarêcha Yair, principia com o assunto de pureza e impureza, que são conceitos espirituais. Primeiramente, ela aborda a lei da Vaca Vermelha, uma vaca cujo pelo é totalmente castanho -avermelhado.
Quem se torna impuros por contato com um morto, ou por estar debaixo do mesmo teto que um cadáver, deve purificar-se num mikvê e contar mais sete dias de processo.
No terceiro e no sétimo dias desta contagem, deve-se aspergir água de fonte misturada às cinzas da vaca vermelha no indivíduo que teve contato com o morto, para que sua purificação seja eficaz. Depois disso, ele volta a ter permissão de entrar no Templo e de consumir alimentos que exigem pureza ( como partes de oferendas, terumá se for Cohen/Sacerdote, e outros).
Após esta primeira mitsvá, a Torá apresenta outras leis sobre quando pessoas e objetos ficam impuros com um morto e o que deve ser feito para purificá-los.
Em seguida, a Torá relata o passamento de Miriam, ocorrido no final da estadia de quarenta anos no deserto. Assim que ela falece, desaparece o poço de água que abastecia o povo em mérito dela. O povo se queixa a Moshê da falta de água e Dus manda Moshê falar com a pedra para que saia dela água. Em meio à tensão, no entanto, Moshê termina batendo na pedra, em vez de falar com ela. A água começa a jorrar, assim como fazia enquanto Miriam vivia.
Porém, uma vez que não tiveram confiança plena e não falaram com a pedra, deixando de santificar o Nome de Deus perante o povo, Dus anuncia a Moshê e Aharon que nenhum dos dois terá o mérito de entrar na Terra de Israel.
O povo continua sua jornada em direção a Israel. Moshê envia mensageiros para a Terra de Edom, ao Sul de Israel, pedindo permissão para passar por lá para entrar em Israel. Eles acrescentam que o povo comprará água e alimentos de Edom para favorecê-los, movimentando sua economia, mas Edom não permite que passem por lá. Por ordem de Dus, o povo é obrigado a dar uma volta e contornar Edom pelo Sul e pelo Leste.
Ao chegar a Hora Hahar ( uma pequena montanha sobre outra maior, hoje na Jordânia), no primeiro dia de Av, Aharon falece. Todo o povo chora por 30 dias a morte de seu querido Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Seu filho, El’azar, o substitui.
O Rei de Arado ouve que Israel está por perto e os ataca. Nossos sábios dizem que eram amalekim disfarçados de kenaanim, que ligaram capturar uma escrava que estava em posse de Israel. Por conta dela, o povo sai para a guerra, pra a Dus e consegue vencê-los.
Para poder contornar Edom em vez de passar por dentro do país, os filhos de Israel são obrigados a retroceder a pouca distância do Mar Vermelho. Desencorajados, queixam-se a Dus e a Moshê e aproveitam para reclamar também do man (maná), chamando-o de alimento desprovido de substância.
Neste momento, o povo passa a ser atacado por serpentes. Dus ordena a Moshê que faça uma cobra e suspenda-a numa haste de grande estatura. Moshê a esculpe em cobre. Quem for picado deverá olhar para cima, para está cobrando(que mais tarde tornar-se-á o símbolo da medicina) e aí lembrar-se de Deus, que está nas Alturas, ficará curado.
Os Amorim preparam um ataque surpresa para o Povo de Israel, mas Dus os faz morrer esmagados entre as montanhas que rodeiam o Rio Arnon. Ao presenciar tamanho milagre, o povo então um cântico de agradecimento a Dus.
O povo de Israel envia mensageiros aos Amorim, pedindo permissão para passar por seu país e entrar na Terra de Israel, prometendo pagar por tudo o que consumirem. Como resposta, Sichon, o rei mais poderoso da região, sai à guerra com seu povo e ataca os Filhos de Israel.
Israel obtém a vitória nesta guerra, assim também como derrota o gigante Og, rei de Bashan, conquistando e dominando toda região. Estas são as terras que, mais tarde, pertencerão a Reuben, Gad e metade da tribo de Menashê.
Já Parashá Balak, conta que Balak, rei de Moav, remédios o Povo de Israel. Este está se aproximando de sua terra, após ter conquistado muitos reis poderemos, como descrito na parashá anterior. Sabendo que não pode vencer com armas convencionais o povo que presencia tantos milagres, decide usar uma ,”arma secreta”: contrata Bil’am, feiticeiro e profeta dotado de um poder de fala muito grande, capaz de amaldiçoar de modo muito eficaz.
Balak envia uma comitiva a Bil’am, porém ele se recusa a segui-los depois de ouvir de Dus que não é para ele ir. Balak envia mais uma comitiva, prometendo a ele um grande pagamento. Bil’am consulta Dus e recebe permissão para ir, mas é advertido de que dirá apenas o que Dus puder em sua boca.
Bil’am faz de tudo para “agradar” a Dus e conseguir amaldiçoar o povo, mas as palavras, que Dus faz com que ele pronuncie, são boas profecias sobre Israel. Ao todo São quatro profecias, até mesmo uma sobre a era de Mashiach e o destino de diversos povos no final dos tempos. O trecho que recitamos toda manhã, “Má tôvu ohalêcha Yaacov” ( “quão belas são tuas tendas, Yaacov”), é parte de sua profecia. Balak fica furioso com Bil’am que, além de não amaldiçoar o povo, ainda o abençoa.

Embora Bil’am não tenha conseguido amaldiçoá-los, ele não deixou de dar a Balak seu parecer maléfico do que fazer. Antes de ir embora, como transmitem nossos sábios, diz Bil’am a Balak:”O Dus deste povo ideia a promiscuidade e a libertinagem.
Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.


