Em comemoração aos 127 anos do Belenzinho, evento no Largo São José do Belém, na Zona Leste, ofereceu atendimentos preventivos, orientação à população e apresentou iniciativas de reciclagem que transformam resíduos em matéria-prima para novos produtos. Saiba mais:

por Fernando Aires

Ao centro: Adailton Alves, Sonia Martinez e Eder Francisco, consultor ambiental, ladeados pelas colaboradoras da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis. Fotos: Conexão Paulistana

Em comemoração aos 127 anos do Belenzinho, a Feira da Saúde realizada no dia 25, no Largo São José do Belém, reuniu centenas de moradores em um dia dedicado à prevenção, à qualidade de vida e à conscientização ambiental. Com atendimento gratuito, o evento disponibilizou diversos serviços voltados à promoção da saúde, aproximando a população de profissionais e instituições parceiras.

Durante toda a programação, os visitantes tiveram acesso à aferição de pressão arterial, teste de glicemia, avaliação oftalmológica, avaliação odontológica, vacinação, ausculta pulmonar e cardíaca, auriculoterapia e atendimentos psicológicos. As atividades permitiram que moradores realizassem exames preventivos e recebessem orientações sobre hábitos saudáveis e acompanhamento médico.

“A Sociedade Amigos do Belém já existe há 74 anos e hoje, estamos celebrando os 127 anos do Belém, com essa ação em duas áreas importantes: a social e a do meio ambiente. Temos muitos participantes, diretores de escola, a Farmácia Sinete que hoje está medindo a pressão  e a glicemia do público gratuitamente, enfim. O intuito é ajudar a população a ter mais qualidade de vida, atenta à real situação de sua saúde e mostrar princípios relacionados ao meio ambiente que podem ser praticados dentro de casa”, disse o presidente da Sociedade Amigos do Belém, Adailton Alves. 

Muita gente foi encaminhada à UBS Belenzinho, por apresentar taxas glicêmicas ou de pressão acima do normal: “Duas senhoras passaram agora, por aqui e já foram pra UBS, porque estavam com glicemia acima de 350”, afirmou um dos médicos presentes.  

Durante o dia, foram milhares os atendimentos de saúde realizados: “Houve uma alta demanda também para vacinação, principalmente da gripe e para atualização da carteira de vacinação, para completar a dose que está faltando. O público é diverso, estamos atendendo desde jovens e crianças até idosos. Contudo, também estamos atendendo em outras frentes de saúde. Por exemplo, orientação de higiene bucal, além de auriculoterapia, tabagismo, terapia chinesa, dentre outros. E a procura só cresce!”, esclarece a dentista Jamile, da UBS Belenzinho.

Presente na fila da vacina, dona Arlete Novaes, 76, moradora há 43 anos no bairro, estava animada para tomar a sua dose: “Eu quis aproveitar, porque precisava colocar a minha carteira em dia. Assim, eu posso ‘saracotear’ por aí sem me preocupar com resfriado bobo, vai que eu arrumo um namorado, eu tô nova, não tô?!”, brincou a moradora. 

Desenvolvimento Sustentável

Sabrina Silva, secretária do Conseg Belém e conselheira do Meio Ambiente, participou da feira no intuito de levar maiores esclarecimentos ao seu condomínio: “Eu vim aqui pra ajudar e também me interessei para saber quais são os materiais de coleta seletiva que podemos separar em casa, e assim eu posso postar nos grupos, porque eu já consegui no meu prédio 4 caçambas grandes para fazer essa separação. Assim, cada qual faz a sua parte, né?”, afirmou.

Além dos cuidados com a saúde, a feira também abriu espaço para ações de educação ambiental. A Poiato Recicla e a Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis da Zona Leste orientaram à comunidade sobre como proceder com o descarte adequado de lixo e também sobre as múltiplas formas de trabalhar com o mesmo. 

Representando a Cooperativa, Sônia Martinez, jornalista, explicou a importância da coleta seletiva e da conscientização da comunidade: “Infelizmente, as pessoas não sabem ainda fazer uma coleta seletiva, ou seja, separar os resíduos adequadamente e o nosso trabalho, hoje, aqui, é justamente esse. Para se ter uma ideia, um pouco mais cedo, veio uma senhora que não sabia o que é ‘rejeito’. Ela me disse: ‘Ah, eu separo o lixo no meu condomínio só em duas frações: o seco e o orgânico com tudo junto’. E assim está errado! Nós precisamos separar o reciclável, das sobras de alimento, porque estas sobras a gente faz compostagem e o que não dá para fazer nada, esse sim é o rejeito. Esse é o nosso trabalho, ensinar o povo a fazer a separação do seu lixo de forma adequada”.

Marcos Poiato, da “Poiato Recicla.

Separação do lixo

A Cooperativa ensina a fazer a separação do lixo em 3 partes, seguindo o princípio das três frações mínimas, sendo elas:

Orgânico: Restos de alimentos, folhas e materiais compostáveis que se transformam em adubo.

Recicláveis: Embalagens em geral, produzidas por plástico, papel, papelão, metal e vidro. Estas, devem ser encaminhadas à Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis, fortalecendo a economia circular.

Rejeitos: Papel higiênico e fraldas descartáveis são exemplos e devem ser dispostos em aterros sanitários.

Bitucas de Cigarro: Arte e Construção Civil!

Entre os participantes esteve o empreendedor Marcos Poiato, fundador da Poiato Recicla, que apresentou ao público o trabalho desenvolvido pela empresa na reciclagem de bitucas de cigarro. 

Consideradas um dos resíduos mais descartados no mundo, as bitucas passam por um processo de descontaminação e são transformadas em massa celulósica, utilizada na fabricação de papel artesanal, objetos decorativos e até componentes empregados na construção civil. 

Massa celulósica

“O cigarro é o resíduo mais encontrado no mundo e hoje, o Brasil está em 4º lugar como o país que mais descarta bitucas em praias. A Poiato é a única usina com validação científica, com coletores adequados e cujas bitucas de cigarro, transformamos em massa celulósica, como material de apoio em escolas, empresas, ateliês e já temos milhares de clientes usando esse material. A massa é destinada gratuitamente para um trabalho de inclusão social e geração de renda”.

Segundo Poiato, até na arquitetura, a massa celulósica já é empregada: “Quem vê aqui, nessa mesa, os bloquinhos, os bibelôs, pensa que com esse material reciclado, essas são as únicas possibilidades de uso, mas não. Com essa massa [celulósica], já fizemos caixas de som, pranchas de surf, até mesmo duas pistas de skate, que já são utilizadas, com alta durabilidade e resistência. Uma delas se encontra na cidade de Aiuruoca, em Minas Gerais e já tem dois anos, enquanto a outra, em Ubatuba, se encontra em uma pousada, com mais de um ano e meio de uso. E ambas estão inteiras, sem qualquer fissura ou estrago”.  

Sobre a revolução que a massa do papel reciclado pela bituca causa no mercado, Poiato explica: “Estamos falando de algo inovador, que já se encontra em estudos no mundo. Muita gente já está analisando os impactos da massa celulósica na economia, mas sobretudo no meio ambiente. A Poiato, repito, é a única usina no mundo com validação científica para uso e aplicação, mas sabemos que ferro brita e cimento são altamente poluentes no meio ambiente. Na construção civil, pode-se reduzir em até 37% o uso desses recursos com a massa celulósica. Sem dúvida, um grande impacto positivo, sem contar econômico”, concluiu.