por Sergio Miranda

Claro que sou manhoso, minha Doce Evelaine. Você me deixou assim.

Seu amor, seu jeito meigo de ser, seus cuidados e preocupações comigo, sua forma carinhosa de sempre me tratar, seu tom de voz tão delicado, e o seu olhar que sorri, sempre a me presentear, me fez ser assim: manhoso e dependente de você, Evelaine.

O seu amor por mim podia ser percebido de várias maneiras, mas o seu olhar seguido de um lindo sorriso era o que mais me envaidecia.

Até nas broncas que você me dava, por merecimento só meu, eu sentia o seu intenso e verdadeiro amor.

Lembro da sua voz tentando ser dura e firme comigo me dizendo: “Parece que passou um pato aqui nessa pia do banheiro”, você falava do seu jeito, tentando me corrigir a manter o nosso banheiro mais organizado. Ou, “Gostoso, você não pode ficar andando por ai sem máscara” (na época da pandemia). Ou ainda: “Miranda, você está atrasado e eu estou te esperando aqui no portão da escola a um tempão” (quando eu insistia que você me esperasse na saída do seu trabalho na escola, mas eu estava enrolado com o horário). E, por algumas vezes você reclamou de eu estar te filmando demoradamente, e me falava com um jeito bravo, impaciente, mas tão gostoso: “Você está filmando amor? Chega!”.

Ah, Evelaine, se eu não tivesse registrado aquele momento, o que eu teria agora para tentar matar a saudade de você?

Me diga, meu amor, se eu não enlouqueceria de vez?

O que fazer com essa dependência de você, e com essa manha que você ajudou a criar e manter em mim?

Viver agora sem você, meu amor, tem sido um grande desafio. Todos os dias, desde que você partiu, eu tenho tentado, e em todos eles eu penso que não vou conseguir, que talvez seja melhor desistir. Mas de alguma maneira, que eu não consigo entender, tenho resistido a essa dor da saudade que sinto de você, Evelaine.

Continuo a buscar seus carinhos, sua voz, seu jeito, seu cheiro, em cada um desses dias, assim como continuo com a minha manha e a dependência de tudo em você, que continua sendo real, assim como o meu amor por você, Evelaine.

Mas como você me faz falta, meu amor.

Desde os dias mais comuns e dos momentos mais corriqueiros, especialmente nesses dias que enfrento agora, quando estou aqui nesse quarto de hospital aguardando sozinho por uma cirurgia. Sei que se você estivesse aqui não me deixaria nem por um minuto, e eu estaria ainda mais manhoso e dependente dos seus cuidados, do seu olhar, do seu sorriso, minha Doce Evelaine.

Assim como continuo dependente do seu lindo amor.

Fica comigo.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego