A parashá, porção semanal da Torá, a Lei de Moisés, os cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica/Tanah, conta sobre o oitavo e último dia da inauguração do Mishcan, o tabernáculo-o templo portátil.

Aharon/Aarão e seus filhos oferecem os corbanot/sacrifícios/oferendas comuns e os especiais do dia e, pela primeira vez, o fogo das Alturas desce e consome as oferendas do Altar.

A Presença Divina passa a pairar no Mishcan, e todo o povo “vê a Glória de Dus”. Neste mesmo dia ocorre um acontecimento trágico: os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, entram na parte mais sagrada do Mishcan, o Côdesh Hacodashim, o Santo dos Santos, e oferecem incenso sem terem recebido ordens e morrem imediatamente por isto.

Após este acontecimento, Dus decretou aos cohanim/sacerdotes ser proibido servir no Mishcan e no Templo após o consumo de vinho e outras bebidas alcoólicas.

Em seguida, a Torá especifica quais são os animais permitidos e proibidos ao consumo dentre os quadrúpedes, peixes, aves e insetos.

No final da parashá, a Torá trata de um assunto que será vastamente abordado nas duas parashiyot seguintes/ porções semanais da Torá: os conceitos de tumá e tahará, “pureza” e “impureza” espirituais. Nesta parashá, a Torá revela quais são os animais, as carcaças e os alimentos que podem passar a ter tumá e torna as pessoas “impuras” espiritualmente pelo contato com eles.

Por fim, a Torá afirma como os animais proibidos repugnam à alma e a prejudicam, visto que Dus tirou os filhos de Israel do Egito para serem santos.

Existem mandamentos/preceitos/mitsvôt/boas ações, que são racionais e tem explicação, e mandamentos de Dus que são hukim, sem explicação humana aparente, como a proibição de carne de porco e outras carnes, pelos judeus, que mesmo sem explicação aparente, foram dadas por Dus e servem para o refinamento, auto controle.
Santificar-se através da prática das boas ações/caridade/justiça social, mitsvôt/mandamentos/preceitos, para construirmos um mundo melhor.

Segundo o grande Rabino Henry Sobel, de bendita memória, o mundo não precisa ser mais judaico,budista,muçulmano, cristão ou o que seja, o mundo precisa ser mais humano.

Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.