por Sérgio Miranda

Uma das frases que a Evelaine gostava de usar nas suas postagens quando se referia à nós dois era: “Para todo o sempre”.
Isso me marcou muito, porque no primeiro sonho que tive com a Evelaine após sua partida ela me falava claramente: “Me aguarde… Me espere”. (Contei esse sonho em detalhes aqui no diário).
De certa forma é por causa dessa mesma crença “que nosso amor nunca terá fim”, e que, talvez, um dia eu a reencontre, que eu continuo a amá-la, e a esperá-la.
Isso não é fácil, pois a minha própria Evelaine me falava que se ela partisse primeiro, eu não ficaria só. Quando ela dizia isso eu ficava irritado, mas a verdade é que ela me conhecia muito bem.
Hoje vivo com esse propósito, de ficar só.
Só com nossas lembranças, só com o que vivemos por 41 anos.
Não foram só coisas boas que tenho para me lembrar, e tenho a plena convicção de que não fui o marido que a Evelaine merecia (ela sempre mereceu mais, e muitas vezes eu mesmo disse isso a ela).
Nesse final de semana eu estava, mais uma vez, assistindo um dos vídeos que tenho dela. Já perdi a conta de quantas vezes já o assisti, mas dessa vez percebi um detalhe que ainda não tinha visto – a Evelaine reagindo a algo que eu tinha falado para um casal de amigos que estava próximo, mas de certa forma, me criticando e contrariando, e o pior, de uma maneira escondida de mim.
Fiquei muito triste a ver essa cena, mas a compreendo muito bem, e mesmo tendo ficado chateado com ela agora, entendo a sua reação. (Vou deixar para falar e mostrar sobre isso em outra postagem).
Mas essa cena me lembrou que estive longe de ser um marido ideal para você, Evelaine.
E sobre o “para todo o sempre”, encontrei esse texto abaixo que fala exatamente o que meu coração gostaria de ter escrito.
Ele diz assim:
“Tenho esperança no nosso “para sempre”. É estranho dizer isso no vazio da sala, mas o amor tem essa teimosia: ele não reconhece o ponto final que a vida tentou colocar. Minha esperança não é delírio, é lembrança viva que se recusa a virar passado.
Eu olho para o futuro e, por mais que tente desenhar outros caminhos, sempre acabo esbarrando em você. É contraditório, eu sei.
Viver o agora com o coração preso no ontem, esperando que o amanhã devolva o que o tempo levou.
Dizem que quem olha pra trás perde o que está à frente… mas e se o que está à frente for justamente o caminho de volta? Amar você depois da partida é como reler uma história tentando, em silêncio, mudar o final.
E eu ainda sinto… nos pequenos gestos que ficaram: na mão que procura a sua sem perceber, no assunto que guardo pra te contar e depois lembro que não posso, na música que toca e faz a saudade pesar no peito.
O “para sempre” que eu sonho não é perfeito.
É feito das nossas falhas, dos erros que hoje eu não cometeria e dos silêncios que ainda carregam o que ficou por dizer.
Dizem que o tempo cura tudo, mas ele só me ensinou a sentir a sua falta com mais calma.
Eu não quero um amor novo.
Quero o que era nosso.
Quero a história que a gente começou e deixou pela metade.
Tenho esperança no nosso “para sempre” porque, no fundo, eu nunca fui embora de você.
Ainda estou aqui… com a porta encostada e o coração aberto, esperando você perceber que o seu “para sempre” também sou eu.”
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego



