por Pedro Hensel

O grande livro Devarêcha Yair nos ensina que a Parashá Behar está repleta de leis referentes à Terra de Israel. Inicia com as leis de Shemitá, o Ano Sabático observado a cada sete anos, no qual é proibido realizar determinados trabalhos agrícolas na Terra de Israel, grifo nosso.
Depois traz as leis do Yovel (Jubileu), cumprido a cada sete ciclos de Shemitá, quando as terras em Israel voltam aos proprietários originais e os escravos judeus são libertados. O Yovel vigora apenas quando a maioria do povo hebreu está em sua respectiva porção na Terra de Israel.
Em seguida, passa a tratar das leis de compra, venda e resgate de casas, campos, casas em cidades muradas e em cidades dos leviyim/levitas, na Terra de Israel.
Em meio a estas leis aparecem outras, referentes ao comércio, como não enganar em relação ao preço de uma mercadoria, não cobrar juros e auxiliar aqueles que estão em situação financeira delicada.
Depois menciona as leis referentes a judeus que precisaram vender-se como escravos a outros judeus, e de como resgatar quem precisou se vender como escravo a alguém de outro povo.
Por fim, a parashá Behar reitera a proibição de fazer estátuas, altares e pedras para se prostrar em culto na Terra de Israel, finalizando com a necessidade de cumprir a Shabbat e se portar com reverência e temor em relação ao Templo.
Já a Parashá Bechukotai começa com os seguintes dizeres: “Se vocês seguirem Meus estatutos…” (Vaikrá/ Levítico 26:3) receberão uma série de bênçãos que a Torá cita, como extrema fartura, vitória nas guerras, paz e a Presença Divina Shechiná pairando sobre o povo hebreu.
Caso contrário, se não seguirem os estatutos de Hashem, a Torá traz uma longa lista de admoestações e penas que ocorrerão até que os judeus e as judias retornem a Dus, no auge do exílio, e sejam redimidos. A Torá reitera que, mesmo no exílio, Dus nunca os desprezará e não violará Sua promessa.
No final da parashá Bechukotai, a Torá traz a mitsvá/boa ação/boa obra/mandamento/caridade/justiça social de arachim – uma pessoa que deseja doar o valor de alguém para o Templo. Quanto deve dar? A Torá fornece uma “tabela” detalhada, de acordo com o sexo e a idade.
Em seguida, a Torá traz as leis referentes à doação ao Templo de animais que podem ser oferecidos, animais que não podem ser trazidos como oferenda e terrenos.

O final da parashá Bechukotai trata do maasser sheni (segundo dízimo) que deve ser levado pelo proprietário a Jerusalém e consumido lá com santidade e do dízimo de animais – um em cada dez animais que nascem por ano deve ser oferecido no Templo, sendo que parte da carne era consumida pelos proprietários.
Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.



