por Sergio Miranda

Hoje, 15/07, nossa caçula comemora aniversário, minha Doce Evelaine.
Ela se parece fisicamente muito com você, e todo mundo comenta isso. Sabe que eu não tinha reparado?
O nome Isabella, que também tem no sobrenome Cristina, como o seu, foi escolhido por você, meu amor.
Nós nunca planejamentos o nascimento de nossos filhos.
O primeiro, nosso primogênito, já contei aqui, que veio adiantado, mas a verdade é que veio na hora que tinha que vir.
Três anos depois fomos surpreendidos com a chegada do nosso segundo filho, Luiz Fernando. Já contei aqui sobre o difícil nascimento desse nosso filho, pois você teve que enfrentar um parto fórceps, e sofreu muito, lembro bem disso.
Dois anos depois soubemos da chegada da terceira gravidez, e ficamos na torcida de vir uma menina. Também lembro que te falava que se não viesse uma menina nessa gravidez, iriámos tentar outra vez, até vir uma menina.
E veio a Isabella, cheia de graça para nos encantar.
Quando a Isabella nasceu, tínhamos retornado recentemente da aventura que te fiz passar, morando no litoral de São Paulo, e eu ainda estava me esforçando para melhorarmos de vida, mas tudo era muito difícil.
A solução que eu tinha encontrado por aquele tempo foi organizar um evento de formatura para uma escola pública na cidade de Poá, e estava na fase de vender os álbuns de formatura, o que nos sustentou por um semestre, e justamente nos meses que antecediam a chegada de nossa filha.
Lembro que eu saia para vender os álbuns e voltava com o dinheiro suficiente para passarmos aqueles dias, mas sempre era um desafio.
Como eu não tinha um plano de saúde, pagamos o Dr. Orivaldo, um médico particular muito conhecido em nossa região que já tinha, inclusive, atendido você, quando era criança.
O Dr. Orivaldo nos deu três opções de hospitais para escolhermos onde nossa filha nasceria. O Hospital Independência, o mais caro; o Hospital Day, um pouco mais em conta; e o Hospital 8 de Maio, todos na nossa região.
Com meu orgulho eu te falava que você teria a Isabella no melhor deles, Hospital Independência, mas como as vendas dos álbuns estavam muito devagar e eu não tinha outra renda, paguei minha língua te levando para ganhar a Isabella no Hospital 8 de Maio, o mais simples.
Você não se importou, sei disso, você nunca reclamava, meu amor.
A Isabella nasceu em uma noite e eu não pude assistir ao parto porque o Hospital não tinha a estrutura necessária, mas me lembro que fiquei te aguardando ansioso. Também lembro de algumas visitas que recebemos enquanto você esteve internada. O importante é que o médico foi o mesmo e que o parto, uma cesariana, acabou bem.
Nossa linda filha cresceu em beleza e em sabedoria, e apesar de parecer muito com você fisicamente, é diferente no jeito de ser. Dos três filhos, você dizia, é a que mais se parece comigo nas atitudes, o que não significa bem um elogio. Mas a Isa é determinada, sensível, audaciosa, mais independente, enfrenta com firmeza os desafios, e é muito transparente. Enfim, uma mulher forte, sábia, que sabe o que quer, e que tem um lindo sorriso, como o seu, Evelaine. A verdade é que ela é bem melhor que eu, meu amor.
Vocês duas eram muito amigas, e depois que você partiu, soube pela Isa de algumas conversas que vocês tiveram, onde você pediu a ela que depois que você partisse, separasse uma joia dela e desse para cada um dos filhos, assim como a roupa de bebê que você guardava de cada um deles. Soube também de algumas coisas que você conversou com ela, mas não comigo, talvez tentando me poupar do que iria acontecer com você.
Nossa filha hoje é mãe de dois lindos meninos, um você conheceu, nosso neto Heitor, e outro, que chegou recentemente, o César, não deu tempo, mas todos estão bem e inclusive a Isa fala na possibilidade de ter uma menina.
Você continuaria orgulhosa da sua filha, Evelaine, assim como eu.
Hoje à noite sairemos para um jantar em comemoração ao aniversário dela, e sua ausência, outra vez, irá me machucar muito, minha Doce Evelaine.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego


