por Sergio Miranda

“Enquanto houver uma lembrança capaz de fazer o coração sorrir, o amor continuará encontrando um jeito de florescer.”

É exatamente assim que tem acontecido comigo, minha Doce Evelaine.

As lembranças que guardo de você quase sempre me fazem chorar, mas, ao mesmo tempo, são elas que ainda conseguem arrancar um sorriso do meu coração. Vivo nesse estranho contraste entre lágrimas e esperança, entre a alegria de tudo o que vivemos e a tristeza de tudo o que perdemos. Habito um mundo onde a saudade e o amor caminham de mãos dadas, onde a solidão divide espaço com as lembranças dos dias mais felizes da minha existência.

Hoje, meu amor por você é a companhia que nunca me abandona. É a força que ainda me faz levantar todas as manhãs, mesmo quando a vontade é apenas fechar os olhos e permanecer vivendo nas recordações. Esse amor é o maior tesouro que restou da minha vida. É tudo o que ainda possuo de nós.

Mas viver assim é um desafio imenso. Há dias em que acredito que conseguirei seguir em frente carregando essa dor com dignidade. Em outros, como ontem, tudo perde o sentido. O vazio se torna tão grande que parece engolir qualquer esperança, e eu só consigo desejar que o tempo voltasse para que pudesse encontrar você outra vez, e como isso não é possível, só desejo que esse meu tempo acabe.

Porque foi ao seu lado, Evelaine, que a minha vida encontrou sua verdadeira razão de existir. Você deu cor aos meus dias, paz ao meu coração e significado aos meus sonhos. Como foi maravilhoso dividir a vida com você, meu grande amor.

Se Deus me permitisse voltar ao passado, antes mesmo de conhecer você, e me desse novamente o direito de escolher qual caminho seguir, eu faria exatamente a mesma escolha. Mil vezes, sem hesitar por um único instante, escolheria todas as vezes caminhar ao seu lado.

Mas dessa vez eu procuraria amar você ainda melhor. Seria um marido mais atento, mais presente, mais cuidadoso. Não desperdiçaria um só minuto ao seu lado e jamais permitiria que qualquer falha minha ferisse o seu coração. Eu faria da minha vida uma eterna declaração de amor para você.

Infelizmente, a vida não é um conto de fadas. Não existe um roteiro perfeito, nem finais felizes para todos. Acho que, no fundo, eu sempre soube disso. Mas viver ao seu lado me fazia acreditar que o tempo era infinito. Sempre haveria mais um amanhecer para acordarmos juntos, mais uma noite para adormecermos de mãos dadas, mais um aniversário, mais um passeio, mais um beijo, mais um “eu te amo”, e muitos anos ainda pela frente.

Posso afirmar, sem medo de errar, que os últimos vinte anos dos nossos trinta e sete anos de casamento foram o meu verdadeiro conto de fadas. Não porque a vida tenha sido fácil. Tivemos dificuldades, desafios e lágrimas. Mas porque você estava ao meu lado. E quando você estava comigo, tudo parecia perfeito aos meus olhos.

Ontem permaneci o dia inteiro trancado em nosso quarto, assistindo aos nossos vídeos, um depois do outro. Em cada imagem eu revivia um pedaço da nossa história. Via o brilho dos seus olhos, ouvia sua voz, contemplava o seu sorriso e, entre lágrimas que eu já não conseguia conter, desejei com todas as minhas forças que você estivesse aqui outra vez.

Confesso que desejei que tivesse sido eu a partir em seu lugar. Não porque a vida não tenha valor, mas porque tenho certeza de que você saberia continuar vivendo muito melhor do que eu. Você sempre foi mais forte, mais generosa, mais necessária para todos que tiveram o privilégio de conhecer você.

Eu, sinceramente, não aprendi e jamais aprenderei a viver sem a mulher que foi o amor da minha juventude, da minha maturidade, da minha vida inteira.

Enquanto eu respirar, continuarei amando você.

Porque alguns amores terminam com a despedida.

O nosso apenas aprendeu a sobreviver à ausência.

E, até o dia em que Deus permitir o nosso reencontro, será esse amor que continuará mantendo vivo o meu coração.

Eu te amo para sempre, minha Doce Evelaine.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego