por Sergio Miranda
Escrevo-te mais uma carta, Evelaine.

É assim que gosto de imaginar tudo aquilo que venho registrando neste diário: como cartas que escrevo para você, meu amor. Cartas nas quais derramo minhas lembranças, minhas lágrimas, meus desejos e esta saudade que nunca se cansa de visitar meu coração.
Quando escrevo, sinto como se estivesse conversando com você. É como se, por alguns instantes, a distância entre nós desaparecesse e você estivesse aqui, ouvindo cada palavra, reconhecendo meus sentimentos e acolhendo, com esse seu jeito doce, tudo aquilo que ainda preciso lhe dizer.
Durante os anos que tive a felicidade de ter você ao meu lado, e que hoje me parecem tão poucos diante da eternidade que eu desejava viver contigo, nunca lhe escrevi uma carta de verdade.
Escrevi mensagens em cartões, enviei palavras pelo WhatsApp e deixei pequenos bilhetes. Mas nunca me sentei diante de uma folha de papel para escrever uma carta inteira, contando o quanto eu te amava, o quanto te desejava e o quanto a sua presença tornava a minha vida bonita.
Você também nunca me escreveu, pelo menos, não para mim.
Somente depois que você partiu soube que havia escrito algumas para um namoradinho que teve antes de mim: meu primo Rogildo, o marinheiro que chamou a sua atenção e namorou você por cerca de três meses e meio.
Como ele estava servindo em Santa Catarina, teve a sorte de receber suas cartas, algumas delas até perfumadas por você.
Confesso que sinto inveja dele, Evelaine. Mas, para ser inteiramente sincero, sinto ainda mais ciúme. Um ciúme talvez tardio e até sem sentido, mas que nasce do amor imenso que sinto por você. Nunca conversamos sobre esse pequeno romance e, se ele mesmo não tivesse me contado, eu jamais saberia da existência dessas cartas.
Mas isso já não importa tanto agora, meu amor.
Preciso apenas aprender a lidar com esse ciúme bobo e deixar que a saudade, aos poucos, o transforme em ternura. Afinal, foi comigo que você escolheu construir a sua vida. Foi a mim que entregou seus dias, seus sonhos, seus carinhos, seus beijos e o seu coração.
Se você estivesse aqui e recebesse esta carta, tenho certeza de que a leria com muito carinho.
Talvez me chamasse de bobo por causa do meu ciúme e, no final, me abraçasse com aquela doçura que sempre conseguia acalmar meu coração. Sei que você gostaria deste mimo, porque cada palavra que escrevo carrega um pedaço vivo do amor que ainda tenho por você.
Hoje, mais uma vez, durante o trajeto de carro até o trabalho, vim ouvindo algumas canções que sempre me levam para perto de você. O curioso é que, se estivesse sentada ao meu lado, eu não poderia ouvi-las. Você não gostava delas e também não permitiria que eu colocasse o som do carro tão alto.
Mas você não está aqui, Evelaine, e agora vivo esta triste liberdade vazia, que eu jamais desejei ter.
Aumento o volume na tentativa de preencher o silêncio e a solidão que ficaram depois de sua partida. Ouço essas canções, deixo as lágrimas correrem e imagino você sentada ali, ao meu lado. Às vezes quase consigo sentir sua presença, seu perfume, seu olhar e a delicadeza de sua mão tocando a minha.
Uma das canções que escutei hoje é justamente esta que acompanha a postagem. Ela diz:
“Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor.
Porque veio a saudade visitar meu coração.
Espero que desculpe os meus erros, por favor, nas frases desta carta, que é uma prova de afeição.
Talvez tu não a leis, mas quem sabe até darás resposta imediata me chamando de meu bem.
Porém o que me importa é confessar-te, uma vez mais, não sei amar na vida mais ninguém.
Tanto tempo faz que li no seu olhar a vida cor-de-rosa que eu sonhava, e guardo a impressão de que já vi passar um ano sem te ver, um ano sem te amar.”
Sei que você, Evelaine, não pode ler estas minhas palavras, nem responder me chamando de “meu bem”, como tantas vezes fez. Mesmo assim, continuo escrevendo. Escrevo porque o meu coração ainda conversa com o seu.
Escrevo porque estas cartas são a maneira que encontrei de atravessar a distância entre o céu e a terra e fazer chegar até você tudo aquilo que a sua ausência não conseguiu apagar.
Continuo te amando, continuo me lembrando de você e continuo te desejando com a mesma intensidade. O tempo não diminuiu o que sinto.
Você continua sendo a mulher da minha vida, a dona dos meus pensamentos, dos meus sonhos e das minhas mais bonitas recordações. E, enquanto minhas mãos conseguirem escrever e meu coração continuar batendo, haverá sempre uma nova carta procurando por você.

Com todo o amor que vive em mim, para sempre, minha Doce e inesquecível Evelaine.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego


