por Sergio Miranda

Hoje procurei o silêncio de um bosque que tantas vezes percorremos juntos, Evelaine. Mesmo sem estar completamente recuperado, senti que precisava voltar — como se cada passo aqui pudesse me levar um pouco mais perto de você. Guararema ainda guarda o seu encanto em cada canto, como se a cidade soubesse o quanto você a amava… e, de alguma forma, ainda te mantivesse presente.

Enquanto te escrevo, meu amor, também revisito as imagens que tenho de nós dois aqui — memórias que insistem em florescer, mesmo no meio da saudade. Há algo em mim que, quando o vazio aperta, me conduz de volta aos lugares onde fomos felizes. É como se o tempo, por instantes, se dobrasse… e eu pudesse quase sentir você outra vez.

Não é fácil. Nunca é. A saudade, quando vem, não pede licença — ela transborda, escorre em lágrimas e invade tudo. Mas, ainda assim, eu venho. Porque é aqui, entre lembranças e silêncios, que encontro uma forma de continuar… de aprender a viver sem a sua presença física, mas jamais sem o seu amor.

A trilha que tantas vezes percorremos está quieta hoje — vazia, mas cheia de você. O perfume do eucalipto dança no ar, o vento embala as folhas como uma canção suave, e os pássaros parecem sussurrar histórias que só nós dois conhecemos. Tudo aqui me chama pelo seu nome.

Ouço sua voz no eco do bosque, vejo seu sorriso em cada fresta de luz que atravessa as árvores. Sua delicadeza, seu encanto diante das pequenas coisas… tudo permanece vivo em mim. Só me falta você aqui, tão perto quanto antes — para te tocar, te abraçar, te beijar como sempre quis.

Receba, mais uma vez, minha doce Evelaine, esta saudade que escrevo com o coração nas mãos. Talvez essas palavras não sejam suficientes para acalmar a vontade de te reencontrar, mas são tudo o que tenho para te alcançar agora.

Minhas lágrimas não são apenas de tristeza… elas são também a prova do amor que vivemos — um amor que o tempo não apaga, que a ausência não diminui, e que continua pulsando, forte e eterno, dentro de mim.

Sinto sua falta, Evelaine… sinto falta de tudo o que você foi — e sempre será: a minha razão de viver.

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego