Comunidade da Avenida Conselheiro Carrão denuncia desperdício de água, falta de atendimento da Sabesp e demora na solução do problema – que a Companhia transformou em uma grande confusão. Saiba mais:
por Fernando Aires

Moradores vizinhos da Avenida Conselheiro Carrão, nº 100, no Tatuapé, passaram o último final de semana convivendo com um cenário de desperdício de água, transtornos e indignação. A situação, em razão do seu desfecho, pareceu mais uma comédia ao estilo Charles Chaplin.
Um cano estourado em frente a uma obra fez com que a água jorrasse em grande quantidade durante horas, afetando a rotina da vizinhança e aumentando a revolta da população diante da dificuldade em conseguir atendimento da Sabesp.
Em um período marcado por alertas sobre consumo consciente e risco de racionamento em diversas regiões, os moradores afirmam que tentaram insistentemente acionar a companhia responsável pelo abastecimento.
Segundo relatos, os canais de atendimento se mostraram ineficientes justamente no momento em que mais eram necessários. Ligações longas, excesso de gravações automáticas, falta de retorno e protocolos sem solução marcaram a experiência dos moradores que buscavam uma resposta urgente para conter o desperdício.
“Acho absurdo que eles não dão qualquer previsão, não possuem um atendimento ágil, agora, cortar a água todos os dias, eles cortam. Se o pretexto é economizar, porque não fazem um mapeamento sério e consertam os inúmeros vazamentos de água que, como esse, também causam desperdício?”, relata João Manuel, engenheiro e vizinho da obra.
Confusão ainda maior
A situação se agravou quando, em vez de enviar imediatamente uma equipe para verificar o vazamento visível na via pública, a Sabesp teria orientado os moradores a agendar vistorias individuais em cada imóvel da região, levantando a hipótese de que o problema pudesse estar dentro das propriedades particulares.
A decisão gerou ainda mais revolta entre os vizinhos, que apontam que o vazamento estava claramente localizado em frente à obra, na rua.
“Eles querem agendar visitas nas propriedades, porque como todo mundo abriu protocolos, eles entenderam que os vazamentos são inúmeros nas casas. Isso não tem cabimento, custa encaminhar uma equipe ao local com agilidade e ver o que está acontecendo? Parece que o pessoal tem preguiça de trabalhar!”, relata uma das moradoras indignada.
Entre os imóveis afetados está uma creche da região, que sequer funciona aos finais de semana, o que, segundo moradores, evidencia a falta de critério na condução do atendimento. Para a comunidade, a postura da companhia demonstra despreparo e falta de sensibilidade diante de um problema coletivo que exigia resposta rápida.
“Parece uma comédia, o vazamento é visível, eles mal atendem a população e depois querem entrar nas casas, para ver onde está o vazamento, sendo que o mesmo está na rua! Logo na cara de quem chega. Depois falam que português é que é burro”, comenta João.
Os moradores também relacionam a piora no atendimento à recente privatização da Sabesp. Segundo eles, situações que antes eram resolvidas com maior agilidade hoje se arrastam em processos burocráticos, enquanto a população enfrenta dificuldades para conseguir suporte básico.
Além do desperdício de água, o vazamento trouxe preocupação com possíveis danos estruturais, riscos para pedestres e aumento na sensação de abandono por parte do poder público.
No final de sábado, 23/05, uma equipe sem qualquer identificação, foi ao local e ao que parece, “resolveu” o problema, cessando o vazamento. A reportagem tentou entrar em contato com a Sabesp mas até o momento, não houve resposta.
A comunidade agora cobra providências efetivas da companhia e uma solução definitiva para evitar que novos episódios semelhantes voltem a acontecer na região. Afinal, se é para economizar, a Sabesp dará o maior exemplo ou vai tratar a questão como piada pronta?



