por Moisés Silva

Embora eu não goste de falar desses assuntos, como você me perguntou, eu vou te responder. Ah, a escala 5×2! (ainda não foi aprovada) Que conquista civilizatória magnífica! O ápice do humanismo moderno. É de chorar de emoção ver nossos diletos parlamentares, que trabalham rigidamente de terça a quinta (quando há quórum), tão preocupados com o descanso do trabalhador. Que almas caridosas!
Mas vamos abrir o cadáver dessa “bondade” e olhar o que tem nas vísceras, porque o cheiro não é de santidade, é de carniça eleitoral. E prepare-se, porque o roteiro dessa comédia trágica já está escrito.
Ato I: A Lua de Mel (Tudo são Flores)
No início, meu amigo, vai ser uma epifania. Uma beleza! O pai e a mãe em casa no sábado e no domingo, fazendo aquele churrasquinho com a carne que ainda conseguem comprar. O trabalhador vai olhar para o céu e agradecer: “Finalmente a justiça foi feita!”.
Mas a alegria dura pouco quando o boleto vence. O sujeito vai olhar para o bolso e perceber que a folga é linda, mas não paga o gás. Qual é a reação imediata do brasileiro guerreiro? “Vou aproveitar esse dia extra para fazer uma grana”. E lá vai o recém-libertado da escala ligar o aplicativo da Uber, da 99, ou botar a mochila do iFood nas costas. Ou seja: a folga dada pelo Estado vira um segundo emprego por pura necessidade de sobrevivência. O trabalhador troca o crachá com direitos pelo retrovisor do carro ou pelo guidão da moto, trabalhando até mais do que trabalhava antes.
Ato II: A Reação do Monstro (O Mercado se Adapta)
Enquanto o povo se desdobra em dois empregos para fechar a conta, as empresas, que não têm impressora de dinheiro e não são instituições de caridade, começam a se mexer. O mercado não chora, ele se adapta. Se o funcionário humano ficou caro demais, burocrático demais e disponível de menos, a solução não é fechar as portas; é acelerar o futuro. Essa canetada populista vai ser o maior combustível da história para a automação:
Onde precisava de três atendentes, entra um totem de autoatendimento ou um chatbot com Inteligência Artificial que não tira folga, não fica doente e não processa a empresa. Na indústria e na logística, o que antes era um plano para daqui a dez anos vira prioridade para o mês que vem: robôs e esteiras automatizadas substituindo o trabalho braçal. O emprego que você achou que estava melhorando simplesmente deixa de existir. O trabalhador é empurrado para a obsolescência pela própria lei que jurou protegê-lo.
Ato III: O Futuro Distópico (O Imposto dos Robôs)
E aqui chegamos ao ápice da esquizofrenia estatal. Daqui a pouco tempo, com as empresas demitindo em massa porque viraram polos de tecnologia e automação, o sistema vai entrar em colapso. Sem trabalhadores, não há arrecadação de Imposto de Renda e INSS.
O que o governo vai fazer? Admitir que errou? Nunca! A genialidade burocrática vai criar o “Imposto sobre o Robô” ou a “Taxa da Inteligência Artificial”. Eles vão taxar a máquina que substituiu você para tentar tapar o rombo que eles mesmos cavaram. E qual o destino final do trabalhador nessa engrenagem macabra?
Você, trabalhador, que antes tinha o orgulho de sustentar sua casa com o suor da sua testa, vira um eterno dependente de auxílio do governo, uma renda básica de subsistência para não morrer de fome. O Estado te quebra as pernas, te dá as muletas e exige que você vote nele em gratidão. Você vira uma peça monitorada, controlada e totalmente dependente do humor de Brasília.
A verdade nua e crua: No final dessa ópera, você vai estar em casa, desempregado, recebendo uma esmola do governo, sendo vigiado por algoritmos e, o pior de tudo: ainda vai ter gente batendo palma e achando lindo levar no toba, a seco, sem nenhuma vaselina, achando que foi uma grande vitória do povo. Viva o Brasil, onde os espertos criam o problema, vendem a “solução” e o trouxa aplaude enquanto perde o próprio futuro!
E sabe o que é o pior?
Daria para resolver grande parte disso se eles cortassem na própria carne, se enxugassem a máquina pública e gastassem menos. Mas eles não fazem isso. Eles gastam cada vez mais, e gastam mal! A corrupção só aumenta, o rombo cresce e quem se lasca, no final das contas, é sempre o povo. Pode ficar tranquilo, o povo ama levar “no toba”.

Moisés Silva é blogueiro em Goiânia-GO. Humor pra rir. Palavra pra pensar. Vida leve pra quem já sofreu demais.


