“Tenho vontade de ver-te, mas não sei como acertar. Passeias onde não ando, andas sem eu te encontrar.” – Fernando Pessoa
por Sérgio Miranda

Nesta tarde fria de segunda-feira, estou aqui pensando em você, Evelaine.
Não que minha vida esteja calma, tranquila ou perfeita. Longe disso. Mas você, independentemente das circunstâncias, continua sempre presente em meus pensamentos, ocupando aquele lugar que jamais pertenceu — e jamais pertencerá — a outra pessoa.
Há pouco, “passeei” por algumas fotografias suas guardadas no computador do trabalho. Detive-me em seu rosto, em seu sorriso, na delicadeza do seu olhar… e a saudade, que já me acompanhava, tornou-se ainda maior.
Comecei, então, a recordar tardes como esta. Depois de toda a correria e das obrigações do dia, eu voltaria para casa sabendo que encontraria você: linda, serena, atenciosa e sempre tão carinhosa comigo.
Dependendo do horário em que eu chegasse, ainda tomaríamos um café juntos. Eu me sentaria no sofá da sala, enquanto você, envolvida em alguma tarefa doméstica, caminharia pela casa com aquele seu jeito simples e encantador. Mesmo um pouco distantes, conversaríamos sobre alguma coisa que tivesse chamado nossa atenção durante o dia ou sobre qualquer assunto sem importância, porque, quando estávamos juntos, até as conversas mais comuns se tornavam especiais.
Depois eu subiria para tomar banho. Mais tarde, jantaríamos lado a lado e assistiríamos a alguma coisa na televisão. Mas, no fundo, havia em mim uma expectativa silenciosa pela hora em que subiríamos para o nosso quarto, fecharíamos a porta para o mundo e viveríamos mais uma daquelas noites tão nossas, amorosas, intensas e inesquecíveis.
Sinto tanta falta desses nossos encontros. Sinto falta de você, meu amor.
Sinto falta de beijos, mas não de quaisquer beijos: sinto falta dos seus, do calor dos seus lábios e da maneira doce como você se entregava a eles.
Sinto falta de um abraço, mas é do seu abraço que meu corpo se recorda, daquele aconchego em que eu encontrava desejo, ternura e paz.
Sinto falta de carinhos, mas somente dos seus: das suas mãos delicadas, da sua pele junto à minha e daquele jeito tão particular que você tinha de despertar em mim o homem apaixonado que sempre fui por você.
Sinto falta de fazer amor, mas de fazer amor com você, minha Doce Evelaine. De sentir sua proximidade, sua respiração, seu corpo acolhendo o meu e o nosso amor transformando desejo em cumplicidade, ternura e entrega.
Você sempre foi assim, tanto como namorada quanto como esposa: uma mulher naturalmente sedutora, embora reservada; simples, mas intensamente sensual; delicada, meiga e irresistivelmente feminina. Muitas vezes atendia aos meus apelos amorosos e, sem precisar dizer quase nada, fazia com que eu me sentisse o homem mais amado e desejado do mundo.
Éramos um casal carinhoso, apaixonado e sempre muito unido. Não precisávamos marcar nossos encontros nem preparar ocasiões especiais. Tudo acontecia naturalmente, no ritmo do nosso amor, em meio aos olhares, aos sorrisos, aos abraços demorados e aos beijos que anunciavam aquilo que nossos corpos já sabiam.
Ah, Evelaine, como era bom ter você em meus braços. Como era maravilhoso saber que, ao fim de cada dia, eu voltaria para a mulher que amava e que também me amava.

Como era bom ter você como minha namorada, minha esposa, minha mulher, minha amada amante…
Minha eterna e Doce Evelaine.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego


