por Sergio Miranda
Hoje, minha Doce Evelaine, para recordar um pouco da nossa história, trouxe para esta postagem um vídeo e uma fotografia de uma tarde que guardo com muito carinho no coração. Naquele dia, fomos acompanhar nosso neto Heitor, junto com nossa filha caçula, em uma consulta médica. Como sempre gostávamos de fazer, procurávamos transformar até os momentos mais simples em lembranças felizes. Foi assim que, para alegrar o Heitor, improvisamos uma visita a uma loja de produtos para pets que havia ali perto, e resolvi comprar para ele um casal de passarinhos.
No vídeo, estamos saindo da loja. Você carrega nosso neto nos braços e, com aquele jeito doce que era só seu, pergunta quais seriam os nomes dos novos passarinhos. Uma cena tão simples… mas que hoje enxergo como um tesouro.
Cada um desses momentos era mágico e especial. Eu já sabia disso enquanto os vivia, mas agora, ao revê-los, compreendo ainda mais o quanto eram preciosos. Eram instantes que pareciam comuns, mas que, na verdade, eram pedaços da felicidade que construímos juntos ao longo da vida.
Lembro-me também de uma ocasião em que precisávamos levar o Heitor para uma das terapias que ele fez durante algum tempo. Enquanto nossa filha subia com ele para o atendimento, nós ficamos no carro, estacionados próximos a uma praça, aguardando o retorno deles. Foi então que você me surpreendeu mais uma vez com um dos seus incontáveis gestos de amor. Sabendo que eu não teria tempo para almoçar naquele dia, você preparou uma pequena marmita para nós.
Que lembrança bonita…
Ali, dentro daquele carro, compartilhei uma refeição preparada pelas suas mãos e temperada pelo seu cuidado. Deliciei-me com a comida, mas principalmente com a sua companhia. Hoje percebo que aqueles momentos eram banquetes para a alma, porque tudo o que vinha de você carregava amor.
Sinto tanta falta desses seus cuidados, meu amor. Você me acostumou a viver cercado pela sua atenção, pelos seus carinhos, pela sua dedicação e pelo seu jeito único de demonstrar amor nos detalhes mais simples do dia a dia.
Talvez algumas pessoas consigam viver sozinhas. Talvez até se acostumem com a solidão. E quem sabe, se eu nunca tivesse conhecido você, eu também pudesse encontrar alguma forma de viver assim. Mas depois de ter compartilhado 37 anos ao seu lado, depois de ter sido amado, apoiado, cuidado e acolhido por você em cada um desses dias, é impossível encontrar a mesma graça na vida sem a sua presença.
Sinto falta de tudo o que você fazia por mim e por nossa família. Sinto falta dos seus cuidados com a casa, da atenção que dedicava à nossa alimentação, dos detalhes que ninguém mais percebia, mas que você observava com amor e zelo. Porém, acima de tudo, sinto falta dos seus carinhos, das nossas conversas, do seu sorriso e da sua companhia.
Sinto falta de você em cada instante, minha Doce Evelaine.
E quanto mais o tempo passa, mais compreendo que os maiores presentes que recebi na vida não foram coisas, mas os dias que vivi ao seu lado. Você foi meu porto seguro, meu abrigo, minha melhor amiga e o grande amor da minha vida.
E é por isso que a saudade dói tanto: porque o amor que sinto por você continua tão vivo quanto sempre foi.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego


