por Sergio Miranda

“Só deixarei de ter amar quando o véu da morte cobrir minha face, mesmo assim nascerá em minha sepultura uma rosa em cujas pétalas, de sangue, estará escrito: Amo você!” – Vinicius de Morais
Buscar versos que falam de amor, viajar pelas lembranças que guardo de você, registrar a nossa história neste diário e sonhar acordado com o seu sorriso, minha Doce Evelaine, são algumas das formas que encontrei para aprender a caminhar ao lado dessa saudade que nunca me abandona.
Entre todas elas, existe uma que aquece meu coração de um jeito muito especial: conversar com você.
Sei que essa conversa acontece apenas dentro de mim. Sei que meus olhos não podem mais encontrar os seus, nem meus ouvidos escutar a sua voz. Ainda assim, permito-me essa doce ilusão. Conto como foi o meu dia, divido minhas preocupações, minhas pequenas alegrias, e fico imaginando o que você responderia, qual seria o seu sorriso, o seu olhar carinhoso ou aquele jeitinho tão seu de me aconselhar. É a maneira que encontrei de continuar sentindo você presente na minha vida.
Ontem fui comprar o piso e os revestimentos para a nossa casa no litoral. Fiz questão de seguir as orientações da nossa filha Isabella na escolha dos modelos e das cores. Sei que, pouco antes de partir, você conversou com ela sobre os detalhes que gostaria de ver naquele lugar. Por isso, quero que tudo seja exatamente como você sonhou.
Aquela casa nunca será apenas uma casa. Ela será o abrigo do nosso amor, o refúgio que imaginamos tantas vezes, o lugar onde depositamos planos, esperanças e sonhos. Você estava tão feliz por ver esse projeto se tornando realidade… Por isso, farei de tudo para que cada canto carregue a sua delicadeza, o seu bom gosto e um pouco da beleza que sempre existiu dentro de você.
Ali sempre será o nosso lugar. Um espaço construído, preparado e decorado do jeito que você desejou. E, enquanto Deus me permitir voltar para lá, sei que encontrarei você nas lembranças que habitam cada parede, cada janela, cada silêncio e cada amanhecer.
Já levei para aquela casa a nossa antiga cama de casal, a mesma que acolheu tantos dos nossos sonhos antes de nossos filhos nos presentearem com uma nova. Resolvi preservá-la porque ela guarda parte da nossa história. Quantas conversas, quantos abraços, quantos beijos, quantas noites adormecemos de mãos dadas naquele nosso pequeno ninho de amor…
Será nela que descansarei quando estiver ali. Talvez o mundo diga que estarei sozinho, mas meu coração saberá que estarei cercado pela sua presença nas lembranças mais bonitas que construímos juntos.
É assim que continuo vivendo, meu amor… Amando você em silêncio, procurando você em cada recordação e encontrando, na força desse amor que nem a morte conseguiu apagar, uma maneira de mantê-la para sempre junto de mim.
Eu te amo hoje com a mesma intensidade de ontem, e tenho a certeza de que continuarei te amando enquanto o meu coração insistir em bater.

Minha Doce Evelaine, você continua sendo o lugar mais bonito onde a minha alma ainda consegue descansar.
Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego


