por Pedro Hensel

Na Parashá Shelach Lechá (Números 13:1-15:41), segundo o Livro Devarêcha Yair, os judeus estão prestes a entrar na Terra de Israel e querem ter certeza de que a terra é tão boa assim como Dus informou. Portanto, exigem que Moshê mande uma expedição para ver se a terra é de fato boa, se é fácil de conquistá-la e assim por diante. Moshê Rabênu/Moisés Nosso Mestre concorda imediatamente, achando que, ao perceberem que ele está tão seguro de si, desistirão de enviar a comitiva, pois a terra é de fato boa.

Mas não foi isso que aconteceu. O povo não se contenta com a segurança de Moshê e quer, a todo custo, mandar espiões. Moshê nomeia 12 homens, um de cada tribo, dando-lhes instruções muito detalhadas do que observar. O grupo parte para a Terra Prometida, atentando exatamente para o contrário do que Moshê instruiu.
Por exemplo, Moshê ensinou-lhes um truque:para saber se uma cidade é forte ou fraca, basta olhar se é murada ou não. Caso tenha muralha e seja fortificada, é sinal de que seus habitantes são fracos e medrosos.

Caso não tenha muralhas, é sinal de que seus habitantes são fortes e confiam na própria força.
Mais tarde, no entanto, os espiões voltam e dizem que as cidades são muito bem muradas e, ainda por cima, são fortes. Além de trazerem as informações, os espiões julgaram a terra de maneira equivocada, apresentando conjeturas e, em vez de cobrirem o povo com ânimo e esperança, transmitem seu pessimismo e falta de fé em Dus.

Sendo assim, os judeus põem-se a chorar, a lamentar-se, e queixar-se por que Dus os tirou do Egito para morrerem no deserto.

Dus fica indignado e diz a Moshê que deseja acabar com todo o povo. Moshê suplica a Dus e alega que, se Ele os exterminar, os povos dirão que Dus teve força de lutar contra os egípcios, mas não teria capacidade de lutar contra os 31 reis da Terra de Kenáan e, por isso, teve que eliminar o povo enquanto no deserto.

Dus concorda com Moshê em não acabar com todos de uma vez, mas decreta que, em vez de entrarem imediatamente em Israel, ficarão quarenta anos no deserto. A cada ano, os homens que completarem sessenta anos morrerão, até terminar toda a geração que, no momento do pecado- ao reclamar sem motivo- tinha mais de vinte. Desta maneira, esta geração será totalmente substituída pela geração seguinte. Ela terá permissão de fato de entrar na Terra de Israel.

Dus também declara que transformará esta noite, na qual choraram em vão, numa noite de choro para todas as gerações. Haverá muitos motivos verdadeiros para chorarem no futuro. Este é o dia de Tishá Beav, quando, no futuro, tanto o primeiro como o segundo Templo serão destruídos, a cidade fortificaa de Betar será assolada, os judeus serão expulsos da Espanha, terá início a Primeira Guerra Mundial, entre outras tragédias.

Dus ordena que os judeus voltem e, em vez de seguirem para a Terra Prometida, passam a viajar em direção ao Mar Vermelho. Surge um grupo de “maapilim”, indivíduos que reconhecem que pecaram e decidem subir em direção a Israel a todo custo.Moshê tenta dissuadi-los, mostrando-lhes que não adianta desobedecer a Dus, que já mandou retroceder. Seguir adiante será perigoso; há os amalekim e os kenaanitas, e Dus não os protegerá.

Mesmo assim, os maapilim prosseguem e são todos mortos.

A seguir, a parashá traz leis referentes aos sacrifícios: a quantidade de vinho, farinha e óleo que acompanham cada oferenda. Então, a Torá apresenta a mitsvá de Chalá:ao se fazer uma massa, é preciso doar um pedaço dela aos chohanim. Hoje em dia, se queima este pedaço da massa em vez de dá-lo ao cohen, em vista do fato de todos estarmos em estado de impureza espiritual.

Em seguida, são enumerados os sacrifícios/corbanot que devem ser trazidos pelo público ou por um só indivíduo que comete idolatria.

A Torá relata o caso de um homem no deserto que profanou a Shabat perante testemunhas e o que Dus ordenou que fosse feito.

A parashá termina mencionando a mitsvá do tsitsit. Este trecho (“Vayômer”) é recitado todos os dias como o terceiro parágrafo da leitura do Shemá.

Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.