por Pedro Hensel

Segundo o Livro Devarêcha Yair, o início da parashá Matot trata sobre as leis de promessas e juramentos: o indivíduo tem a obrigação de cumprir tudo o que promete. A Torá explica como a promessa de uma mulher pode ser cancelada, em determinados casos, pelo pai ou pelo marido, assim como a promessa de qualquer pessoa pode ser anulada por um erudito de Torá em determinados casos específicos.
Depois, Dus ordena que o Povo Judeu guerreie contra Midyan, por terem feito Israel pecar com suas filhas.
As tribos de Reuven e Gad pedem então a Moshê permissão de morar no território conquistado de Sichon e Og ( guerra descrita na parashá de Chukat), ao Leste do rio Jordão, onde hoje é a Jordânia e parte da Síria. Eles alegam que possuem muito rebanho, necessitam de muito pasto, e que a terra conquistada é propícia para isto.
Moshê os admoesta, questionando se desejam mais uma vez quebrantar a fé do povo e esfriar o desejo de entrar em Israel, deixando todo o povo lutar sozinho, enquanto eles ficam seguros e tranquilos do outro lado do Jordão, sem participar.
As tribos de Reuven e Gad assumem que entrarão juntamente com todo o povo na Terra de Israel e lutarão na linha de frente, só voltando para o outro lado do Jordão quando todas as tribos de Israel já estiverem instaladas, cada qual em seu quinhão. Moshê concorda e eles constroem cidades para que suas mulheres, crianças e animais já fiquem lá instalados, à espera de sua volta.
Já a Parashá Massê é geralmente lida juntamente com Matot, resultando na maior leitura da Torá do ano.
Raramente é lida sozinha. Isto ocorre somente quando o ano judaico é embolísmico, com um mês a mais, sendo mais longo e quando Rosh Hashaná inicia na quinta-feira ou Pêssach inicia no Shabbat.
O início da parashá Massê lista todas as viagens e paradas empreendida pelo povo no deserto, desde a saída do Egito até chegar às margens do rio Jordão.
Depois, a parashá traz uma série de detalhes sobre a divisão da Terra de Israel, começando pelas fronteiras do território que o povo de Israel deverá conquistar naquela fase. É dentro delas que deverão ser cumpridas as mitsvot ligadas a terra, como shemitá ( o ano sabático), terumot e maaserot ,( doações aos cohanim e leviyim) e outras mitsvot ligadas à agricultura. Moshê também nomeia os chefes tribais que serão os responsáveis por dividir as terras.
Como a tribo de Levi se dedica totalmente ao serviço no Templo e ao ensino do povo, sem trabalhar na Terra, não tem um quinhão definido na Terra de Israel, como têm as demais tribos. No entanto, os leviyim precisam ter um lugar para morar. Assim, a Torá determina que as tribos devem doar um total de 48 cidades para os leviyim: as 6 cidades de refúgio( arê miklat) é mais 42 cidades. Cada tribo doará cidades de acordo com o tamanho de seu território.

Por fim, a Torá menciona a lei das cidades de refúgio:se alguém matar outra pessoa acidentalmente -sem intenção – deverá fugir para uma destas cidades preestabelecidas e lá ficar, obrigado dos parentes do morto que o queiram vingar, até a morte do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) vigente na época.
Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.


