Da Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Enchentes do Pantanal, da Câmara Municipal de São Paulo, retomou oficialmente seus trabalhos de 2026 nesta quinta-feira (5). O colegiado investiga as causas estruturais das enchentes que afetam há mais de três décadas o Jardim Pantanal e bairros do extremo leste da capital, impactando diretamente a vida de milhares de famílias.

Logo na reabertura dos trabalhos, a CPI, presidida pelo vereador Alessandro Guedes (PT), promoveu a oitiva de representantes do Governo do Estado com o objetivo de aprofundar o debate técnico e cobrar medidas efetivas para enfrentar os alagamentos recorrentes na região.

Ações do Estado e investimentos anunciados

Participaram da reunião Nelson Lima, diretor da SP Águas — agência estadual responsável pela regulação e fiscalização dos recursos hídricos —, e Cristiano Kenji Iwai, subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).

Durante a apresentação, Cristiano Kenji detalhou o programa Integra Tietê, que reúne ações integradas para a recuperação do rio. Segundo ele, o planejamento prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2029, incluindo a ampliação do saneamento básico, melhorias nos sistemas de esgoto e a implantação de 1.150 quilômetros de novas redes coletoras.

Nelson Lima complementou informando que, desde 2022, foram retirados 681 mil metros cúbicos de sedimentos do leito do Tietê em um trecho de aproximadamente 25 quilômetros, além da remoção de 120 carcaças de veículos, muitas delas oriundas de crimes.

Questionamentos e cobranças da CPI

O vereador Alessandro Guedes levantou questionamentos sobre a real eficácia da Barragem da Penha, inaugurada em 1983, estrutura estratégica para o controle de cheias na zona leste e na Região Metropolitana. O parlamentar também solicitou esclarecimentos sobre a ausência de utilização de recursos federais disponíveis para apoiar as obras de mitigação.

“O que a CPI busca são respostas objetivas e soluções estruturais. Estamos falando de um problema que atravessa gerações, e ainda ouvimos que estudos estão começando agora, muitas vezes impulsionados pela própria CPI. Isso nos preocupa e exige mais comprometimento do Estado”, afirmou Guedes.

Avaliação dos trabalhos

Ao final da reunião, o relator da CPI, vereador Silvão Leite (União), avaliou positivamente o encontro. “Foi fundamental compreender tecnicamente as ações em andamento e confrontá-las com as propostas apresentadas pela CPI. Nosso papel é garantir que as soluções apontadas sejam viáveis e realmente saiam do papel”, destacou.

Instalada em agosto de 2025, a CPI das Enchentes do Pantanal é composta pelos vereadores Alessandro Guedes (PT), Marina Bragante (Rede), Silvão Leite (União), Dr. Milton Ferreira (Podemos), Major Palumbo (PP), Paulo Frange (MDB) e Sonaira Fernandes (PL). Os trabalhos seguem ao longo de 2026 com o compromisso de buscar respostas, responsabilidades e soluções definitivas para a população do território.