
Segundo o grande Livro Devarêcha Yair, A parashá Tsav inicia mencionando alguns preceitos que os cohanim-sacerdotes precisavam cumprir com relação ao Misbeach-Altar. Em primeiro lugar, um fogo deve arder sobre o altar o tempo todo. Além da preocupação em prover toda a lenha necessária para manter o fogo acesso continuamente, há mais uma mistvá/mandamento/preceito/boa ação especial:toda manhã, é necessário pôr duas toras de madeira no fogo do Altar.
Há também a mitsvá de retirar parte das cinzas (terumat hadêshen) e colocar um pouco delas do lado do Altar.
Se houver cinzas excedentes, deve-se levá-las para fora do acampamento.
Em seguida, a Torá/A Lei de Moisés, apresenta mais detalhes práticos sobre o procedimento e o que deve acompanhar as oferendas descritas na parashá anterior, e descreve mais algumas oferendas, como o Corban Todá – a oferenda de agradecimento trazida por alguém que passou por uma situação difícil e se salvou.
No final da parashá, a Torá narra sobre a inauguração do Mishcan/Tabernáculo/Templo portátil. A ordem Divida de inaugurá-lo já aparece na Parashát Tetsâve (no Livro de Semot/Êxodo) e agora, na Parashat Tsav, chega o momento de realizá-la de fato. Aharon e seus filhos são vestidos com os trajes especiais dos cohanim/sacerdotes, e Moshê/Moisés ergue e desmonta o Mishcan em cada um dos sete dias de inauguração.
A continuação do relato deste evento aparece na próxima parashá- Shemini- sobre o que ocorreu no oitavo dia e derradeiro da inauguração do Mishcan/Tabernáculo/Templo portátil.
O Rab Shim´on Schwab, de abençoada memória, explica que na época do Primeiro Templo os judeus se preocupavam com o melhor e maior animal para o sacrifício, mas seus pensamentos e intenções estavam longe, aí o capítulo 1 de Yesha´yáhu/Isaías- este adverte o povo: “Para que tantas oferendas-Diz Dus? Já estou satisfeito de tanta gordura de carneiro… não tragam mais oferendas de farinha à toa! É uma oferenda abominável para Mim! Por que Dus não queria mais oferendas/korbanot? Porque o coração da pessoas não estava com elas. Por isto o Primeiro Templo foi destruído, e o povo ficou exilado 70 anos na Babilônia.
Já na época do Segundo Templo Judaico de Jerusalém, as pessoas só se preocupavam com a intenção do coração, sem se preocupar com a ação em si,então o profeta Mal´ achi/Malaquias, no início da era do Segundo Templo, os admoestou: “Vocês trazem animais mancos e doentes e acham que não há nenhum mal nisto?
Ofereça-o ao seu governante, você acha que ele o aceitaria?” (Mal´ achi/Malaquias 1:8).

Em nossa geração, é preciso tomar cuidado com ambos:tanto se esmerar nos detalhes, no cumprimento das mitsvot/mandamentos/preceitos/boas ações de Dus da melhor maneira possível, como ter a intenção correta e os bons pensamentos relevantes durante seu cumprimento.
Pedro Augusto Franchini Hensel é bacharel em Direito e estudioso pesquisador.



