por Sérgio Miranda

Existem datas e momentos que são tão especiais e marcantes que nunca serão esquecidas.

Hoje, 24/03 é uma delas. Hoje seria o momento de parar um pouco a correria e comemorar os seus 58 anos de vida, Evelaine.

Pelo segundo ano consecutivo isso não será possível, e o que mais dói em mim é saber que estar com você nunca mais será possível.

Nessa terça-feira escolhi deixar o tempo passar mais devagar e por isso não trabalhei. Fiquei quieto e por um bom tempo deitado em nossa cama, te buscando nas lembranças e te imaginando poder viver esse dia. Consegui te ver recebendo as mensagens das amigas e colegas, e até te escutei rindo durante possíveis conversas com as pessoas mais queridas.

Certamente você teria tirado um tempo para ficar ao celular respondendo os cumprimentos, e eu estaria por perto tentando te encantar com alguma surpresa. Sei que nem sempre eu soube aproveitar essa data e fazê-la ser a mais especial de todas, mas com o tempo aprendi, e como era bom estar ao seu lado.

Agora a noite, junto com nossos filhos Isabella e Felipe, acompanhado também de nosso genro, Augusto, e dos netos Heitor e César, saímos para jantar. Fomos a um restaurante que você gostava de ir também, e no meio da conversa era o seu nome que falávamos, e mesmo no silêncio, principalmente no meu silêncio, era você, Evelaine, que eu buscava.

Assim enfrentei esse dia de seu aniversário, e ainda me preparei para um grande desafio que terei amanhã – o primeiro sem poder contar com suas orações, seu apoio e encorajamento, sem sua companhia.

Mas no fundo, bem no fundo, não me preocupo porque sei que de alguma maneira você estará comigo, meu amor, e eu sei que estarei com você.

Receba meu beijo, Evelaine, bem de leve, no canto de sua boca, como você gostava, e sinta o toque de minhas mãos te apertarem na cintura, e me deixe ficar assim, abraçado ao seu corpo, sentindo o seu perfume e te envolvendo em meus carinhos. Assim estaríamos terminando esse dia e só começando essa noite.

Quero te deixar um poema que recebi e diz assim:

“Coração da minha vida”

“Eu não ouso dizer que te amo apenas com o meu coração, porque o coração é frágil e um dia, inevitavelmente, vai se calar.

O que sinto por você nasce mais fundo, de um lugar onde o tempo não manda e onde o fim não tem morada. Por isso eu te amo com a minha alma. Porque ela não conhece despedidas, não se curva aos relógios nem às despedidas da vida.

E mesmo quando tudo se apagar, quando o tempo já não existir e o mundo tiver seguido adiante, ainda assim, em algum lugar invisível, minha alma continuará amando você.”

(Tisha Alves)

Sérgio Miranda é escritor e assessor na CET- Companhia de Engenharia de Trafego